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01.03.2015
Domingo II da Quaresma - Ano B

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Disse Pedro:
Senhor, que bom estarmos aqui.
Se queres, faço aqui três tendas, uma para Ti, outra para Moisés, outra para Elias...

O relato da Transfiguração, lido neste Domingo, depois de, no Domingo anterior, ter sido escutada a tentação, faz com ela, como que num grande painel de duas alas, uma espécie de grande abertura da Quaresma: mortificação e glorificação, tentação e glória, morte e ressurreição; são elas, de facto, a síntese do Mistério Pascal que vamos celebrar na Páscoa. Jesus vive em Si o mistério que a sua Igreja agora celebra, e que ela viverá até à sua própria Transfiguração.

Transfiguração do Senhor

“Hoje, no Tabor, transformou Cristo a escura natureza de Adão: revestindo-a de seu esplendor, divinizou-a “

(Hino da festa da Transfiguração do Senhor, Tradição Bizantina).

Neste segundo Domingo da Quaresma, o evangelho narra-nos a transfiguração de Cristo. A cena da Transfiguração tem como finalidade preparar os discípulos para a grande prova e escândalo do Calvário e da Cruz. Mas é muito mais do que isso. É a própria comprensão do Homem na compreensão de Deus que está presente. Tendo consciência disso mesmo, escrevia S. Ireneu no séc. II: «A glória de Deus é o Homem vivo, e a vida do Homem consiste em ver a Deus».

Dentre as teofanias narradas nas sagradas escrituras, a Transfiguração é a que traduz profundamente a teologia da divinização do homem. No Tabor Cristo transforma a natureza humana, escurecida em Adão, revestindo-a com o seu esplendor. De forma concreta se percebe que Cristo não se despe de sua divindade, mas reveste a humanidade de sua glória.

Segundo a tradição, o evento da Transfiguração ocorreu 40 dias antes da crucifixão. Ela é a ponte que introduz no calvário e por fim na ressurreição. Situada antes do anúncio da paixão e da morte, prepara-nos para a compreensão deste mistério.

Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão (Cf Mt 17,1). São João Crisóstomo afirma que estes foram escolhidos pois “Pedro amava a Jesus mais do que os outros, João porque era amado por Jesus mais do que os outros, e Tiago porque se unira na resposta do irmão: ‘Sim, podemos beber do teu cálice’ (cf. Mt 20,22).”

Há, na Transfiguração, uma nova manifestação trinitária, após a ocorrida no baptismo. A voz do Pai dá testemunho, o Espírito ilumina e o Filho recebe e manifesta a palavra e a luz.

O monte

A montanha é, nas sagradas escrituras, o lugar da revelação de Deus. É precisamente no Horeb que Deus se dá a conhecer a Moisés. Para alcançar o topo é necessário um caminho árduo. A subida do monte faz perceber que no meio do caminho existem pedras, espinhos, que a posse dos bens tanto materiais como espirituais pesa muito e pode impedir o homem de chegar onde quer: junto de Deus.

Os apóstolos

Apesar de não entenderem o que está a acontecer, eles vivem este momento de forma intensa. Um misto de alegria celeste e de temor toma conta deles e os leva a sentir o desejo ardente de permanecer ali. É Pedro quem o expressa quando diz: “é bom estarmos aqui!”. No alto do Tabor, Cristo transfigura a existência dos apóstolos, infundindo neles a vocação à santidade. Cristo insere os discípulos no coração da Trindade, infunde no coração deles o desejo de buscar o alto.

Moisés e Elias

Os discípulos vêem dois personagens ao lado de Jesus, Moisés e Elias: a lei e os profetas que se inclinam em adoração a Cristo, centro, personificação e o cumprimento da Lei e de toda a Profecia. Eles podem contemplar aquilo que tantos profetas profetizaram e esperaram: Cristo (cf Lc.10,23). A primeira aliança aponta para a última e definitiva. “Moisés e Elias tiveram de receber a revelação no monte de Deus; agora, conversam com aquele que é, em pessoa, a revelação de Deus”..

Orígenes diz que o erro de Pedro ao expressar o desejo de construir três tendas parte do princípio de que “para a Lei, os Profetas e o Evangelho não existem três tendas mas uma só, que é a Igreja de Deus”.

O Cristo

No centro da cena está Cristo. Ele é o centro de tudo, “por Ele todas as coisas foram feitas”, é dele que emana a luz que ilumina a cena, Ele é a “Luz da Luz” uma luz incriada que dissipa as trevas, põe fim ao torpor e anuncia uma beatitude que não passará. “As vestes brancas de luz de Jesus falam também na transfiguração a respeito do nosso futuro. No Apocalipse, as vestes brancas são expressão do ser celeste — as vestes dos anjos e dos eleitos. Assim, o Apocalipse de S. João fala das vestes brancas que os que foram redimidos podem trazer (cf.especialmente Ap7,9.13;19,14). Porém ele nos permite saber agora algo de novo: as vestes dos eleitos são brancas, porque foram lavadas no sangue do cordeiro (Ap 7,14), isto é, porque pelo batismo foram ligadas com a paixão de Jesus, e a sua paixão é a purificação que restitui a veste original, que perdemos pelo pecado (cf. Lc 15,22). Por meio do batismo somos revestidos com Jesus na luz e tornamo-nos nós mesmos luz”.

Jesus é a tenda sobre a qual está a nuvem e é a partir daí que todos são envolvidos pela sua sombra. Vemos ainda uma cena um tanto familiar, da nuvem ressoa clara a voz que diz: “Este é o meu Filho muito amado; escutai-O!” (cf Lc 9,35). À proclamação da filiação acrescenta-se um imperativo: “escutai-O.

Morreu o Padre Jorge Gouveia

Da Diocese da Guarda, este sacerdote, nascido em Freixo da Serra (Gouveia), a 5 de janeiro de 1938, foi ordenado a 29 de junho de 1966.
Comunico aqui a sua partida para o Pai porque muitos de vós, certamente, vos recordais dele pois esteve muitos anos ao serviço da comunidade portuguesa aqui na Alemanha (Gross Umstadt) e veio a várias das nossas comunidades por deversas vezes apresentar e vender os seus livros.
Paz à sua alma.

“A Quaresma é um tempo propício para o despojamento; e far-nos-á bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza. É um tempo propício para mostrar interesse pelo outro, através de um sinal – mesmo pequeno, mas concreto – da nossa participação na humanidade que temos em comum”.

— Papa Francisco

“O que ouvimos e aprendemos,
o que os nossos pais nos contaram,
não o ocultamos aos nossos descendentes,
mas o transmitiremos à geração seguinte:
os feitos gloriosos do Senhor,
o seu poder e as maravilhas que Ele fez.
O Senhor ordenou a nossos pais
que ensinassem a sua lei aos filhos,
para que os seus filhos, quando crescessem,
a transmitissem a seus próprios filhos,
para que pusessem a sua confiança em Deus
e não esquecessem os feitos de Deus...”

Do salmo 77/78

Igreja deve ser transparente para Jesus Cristo

“Diria que uma Igreja que procura sobretudo ser atraente já estaria num caminho errado, porque a Igreja não trabalha para si, não trabalha para aumentar os próprios números e, assim, o próprio poder. A Igreja está a serviço de um Outro: não serve a si mesma, para ser um corpo forte, mas serve para tornar acessível o anúncio de Jesus Cristo, as grandes verdades e as grandes forças de amor, de reconciliação, que apareceram nesta figura e que provêm sempre da presença de Jesus Cristo.

Neste sentido a Igreja não procura tornar-se atraente, mas deve ser transparente para Jesus Cristo e, na medida em que não é para si mesma, como corpo forte, poderosa no mundo, que pretende ter poder, mas faz-se simplesmente voz de um Outro, torna-se realmente transparência para a grande figura de Cristo e para as grandes verdades que ele trouxe à humanidade.”

Bento XVI