26.04.2015 Domingo IV da Páscoa Ano B
O tema do Bom Pastor é especialmente próprio do tempo da Páscoa. A afirmação de Jesus de que “o Bom Pastor dá a vida pelas suas ovelhas” tornou-se realmente palpável na sua Morte na cruz. Aí Ele dá a vida, oferece-Se em oblação de amor ao Pai pelos homens. É na cruz que Ele Se revela o Bom Pastor, como é na ressurreição que reconhecemos o fruto desse sacrifício redentor. Por isso, a Páscoa é o tempo particularmente consagrado ao louvor e acção de graças. “P a r a q u ê c r i s m a r e m P o r t u g a l ?”Li, há tempos, este artigo. Não é novidade no tempo, mas talvez seja para muitos de vós pois certamente não muitos tiveram ocasião de tomar conhecimento dele. Publico-o agora porque este ano, pela primeira vez, desde que aqui estou, não teremos administração do Crisma a adultos por ocasião da peregrinação. “Para quê crismar em Portugal?”, é o título do referido artigo sobre o número de fiéis que receberam o sacramento do Crisma/Confirmação no ano de 2002. Refere o artigo: “As 43. 622 paróquias da Igreja Católica Portuguesa preparam, todos os anos, cerca de 50 mil jovens e adultos para o Crisma, que na Igreja Ocidental é administrado como ‘sacramento da maturidade cristã’, dado que, ao serem baptizados em crianças, foram os pais e padrinhos que pronunciaram a profissão de fé. Essa é a hora em que eles próprios pronunciam o seu ‘sim’ à comunidade de fé que os integrou pelo Baptismo. Este momento é entendido por muitos como um ponto final na sua caminhada de formação da fé, quando não mesmo como a última formalidade que a sua condição de ‘católicos’ os obriga a cumprir”. O sacramento do Crisma/Confirmação, infelizmente, não é entendido como necessário, mas um pouco para quem quer “receber tudo” ou para mais tarde não ter problemas se quiser ser padrinho ou se optar casar pela Igreja. Recorda o artigo com muita oportunidade a Carta Pastoral Conferência Episcopal Portuguesa, “O Espírito Santo, Senhor que dá a Vida”, de 1997. Mantém-se actual a orientação dada pelos Bispos no sentido de haver uma séria preocupação em dar “ênfase à pastoral da Confirmação, até como forma de proporcionar a muitos baptizados uma iniciação cristã que nunca chegaram a fazer. E aos cristãos adultos que não celebraram este Sacramento, ajudemo-los a descobrir a necessidade de o receber”. Ninguém duvidará que é mesmo necessário acabar com alguma facilidade militante na continuidade da caminhada cristã. Aceita-se pacificamente que uma boa percentagem de pais continue a pedir o baptismo dos seus filhos sem condições de os educar segundo a fé cristã, sem se cumprir o que está determinado para os padrinhos, que um elevadíssimo número de crianças abandone a Catequese logo a seguir à chamada primeira Comunhão, que não se invista sério na formação de Catequistas sobretudo para a fase de adolescência, que na grande maioria das paróquias não haja Catequese de Adultos minimamente estruturada. Embora “o período de 10 anos que hoje define o ciclo catequético no nosso país, culminando no Crisma, tem como principal objectivo ‘formar cristãos que vivam a fé em todas as dimensões: acreditar, celebrar, rezar e praticar’, seria conveniente introduzir mais um ano ou dois antes da celebração do Crisma/Confirmação para aprofundar o sentido responsabilidade para um verdadeiro compromisso cristão. Se falarmos com os adolescentes e jovens das nossas comunidades que vão “ficando” até ao Crisma, salvaguardando as honrosas excepções, chegamos facilmente à conclusão que o que os vai motivando é o convívio e a amizade. O quadro que se segue dá-nos uma leitura do número de fiéis, jovens e adultos que no ano de 2002 receberam o sacramento do Crisma/Confirmação. Estatísticas referentes ao ano de 2002Diocese/Paróquias ou equiparadas /Confirmações/1.ª ComunhãoAlgarve / 79 / 805 Angra do Heroísmo / 172 / 4.678 Aveiro / 101 / 1.436 Beja / 118 / 213 Braga / 551 / 6.588 Bragança-Miranda / 324 / 899 Coimbra / 267 / 3.100 Évora / 158 / 713 Funchal / 96 / 3.174 Guarda / 365 / 1.930 Lamego / 223 / 2.243 Leiria-Fátima / 74 / 1.890 Lisboa / 282 / 5.760 / 11.12 Portalegre-C. Branco / 162 / 1.300 Porto / 477 / 6.184 Santarém / 111 / 644 Setúbal / 54 / 573 Viana do Castelo / 291 / 2.325 Vila Real / 264 / 2.847 / 2.260 Viseu / 209 / 2.635 Fonte: Agência Ecclesia Refere ainda o artigo da Ecclesia um aspecto muito interessante: “em Beja encontramos a Diocese com menor número de Crismas, pelo que as cerimónias são celebradas como grandes acontecimentos eclesiais. Neste ano pastoral, quase duas décadas depois, na paróquia de Pias, voltou-se a administrar o sacramento da Confirmação a dez jovens da comunidade: alguns já têm tarefas na paróquia como salmistas e catequistas, mas outros passam grande parte do seu tempo longe da comunidade eclesial, trabalhando ou estudando”. Como diz o Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, o Crisma não é “o acabar, mas devia ser o recomeçar”. Conclui o artigo que “este é aliás, um dos grandes problemas sentidos pelos jovens: se nível da catequese da infância há um itinerário preparado para dez anos, a catequese de jovens parece não conseguir fazer face à crise da ida para a Universidade, do namoro/casamento e do início da vida laboral”. (AJC) Jamaal, o muçulmano que se ofereceu para morrer com os cristãos Mais de uma semana depois do massacre de perto de 30 cristãos somalis pelo Estado Islâmico, surge a história improvável de Jamaal Rahman: podia ter-se salvo, mas preferiu não abandonar o amigo. Acabou por morrer com ele. O vídeo divulgado pelo autodenominado Estado Islâmico indicava que os homens ajoelhados no chão algures na Líbia, preparados para morrer, eram todos cristãos da “Igreja Etíope hostil” e que por isso iam pagar com a vida, como já tinham feito 21 cristãos coptas antes deles e tantos outros na Síria, no Iraque e no Quénia. Mas Jamaal Rahman não era fiel da Igreja Ortodoxa Etíope, nem sequer era cristão. Era muçulmano e esse facto teria sido suficiente para o salvar, caso ele não tivesse feito o impensável. Jamaal ofereceu-se para ser refém para que o seu amigo cristão não morresse sozinho. A informação foi avançada pela publicação MissionLine, do Pontifício Instituto para as Missões Estrangeiras (PIME), que identifica como fonte um combatente do Al-Shabab, o grupo terrorista islâmico que combate na Somália, país que faz fronteira com a Etiópia. Haverá diferentes versões sobre aquilo que se passou. Uma diz que Rahman se converteu ao cristianismo a caminho da Líbia, mas a segunda, considerada mais provável pelo PIME, é de que ele se ofereceu como refém para não abandonar o seu amigo cristão e talvez na esperança que a presença de um muçulmano entre o grupo de detidos levasse os captores a mostrar alguma misericórdia. Essa esperança morreu na praia, literalmente, mas o exemplo de Jamaal está agora a ser apresentado como prova de solidariedade inter-religiosa, numa altura em que as relações entre muçulmanos e cristãos estão particularmente difíceis, sobretudo no Médio Oriente e África. A história de Jamaal assemelha-se à de Mahmoud Al ‘Asali, um professor universitário de Mossul que, aquando da ocupação da cidade pelo Estado Islâmico, se manifestou publicamente contra a expulsão dos cristãos, acabando por ser morto também. Entretanto, infelizmente chegou também a notícia bárbara daqueles muçulmanos que, estando já num barco a caminho da Europa e descobrindo que nele seguiam cristãos os muçulmanos atiraram, propositadamente, os cristãos ao mar…
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