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09.03.2014
I Domingo da Quaresma   -   Ano A

As tentações de Jesus resumem as tentações de todo o homem.

Ao contrário de Adão, Jesus rejeita a tentação, fixando-Se no Pai e na sua palavra. Resistir ao mal, morrer para o pecado, firmando-se na palavra de Deus, é o primeiro passo para participar na Páscoa de Jesus.

Quem deseja caminhar para a comunhão com Deus na Páscoa de Jesus, não pode deixar-se encantar, nesse caminho, com as tentações que o Inimigo lhe apresentará.

O jejum que me agrada. O Pastor de Hermas - texto da era pós-apostólica, cerca do ano 150, diz: «No dia do teu jejum, não tomarás mais que pão e água; depois deverás avaliar o montante da despesa que terias feito nesse dia com a tua comida e dá-lo-ás a uma viúva, a um órfão ou a um necessitado. Assim tu te privarás, para que outro possa usufruir da tua abstinência».

Quaresma: espiritualidade e história

A Quaresma é o tempo do Ano Litúrgico preparatório da Páscoa, a grande celebração do mistério da Salvação pela morte e ressurreição de Jesus Cristo. Na actual disciplina litúrgica, vai da Quarta-Feira de Cinzas até Quinta-Feira Santa, excluindo a Missa da Ceia do Senhor, que já pertence ao Tríduo Pascal.

A Quaresma surgiu no séc. IV, a seguir à paz de Constantino, quando multidões de pagãos quiseram entrar na Igreja. Duas instituições a ela estão ligadas; a penitência pública e o catecumenado. Daí o seu duplo carácter penitencial e baptismal. Inicialmente durava 3 semanas, mas depois, em Roma, foi alargada a 6 semanas (40 dias), com início no actual I Domingo da Quaresma (na altura denominado Quadragesima die, entenda-se 40.º dia anterior à Páscoa).

O termo Quadragesima (que deu a nossa “Quaresma”) passou depois a designar a duração dos 40 dias evocativos do jejum de Jesus no deserto a preparar-se para a vida pública. Como, tradicionalmente, aos Domingos nunca se jejuou, foi necessário acrescentar alguns dias para se perfazerem os 40. Daí a antecipação do início da Quaresma para a Quarta-Feira de Cinzas.

Espiritualidade

A penitência pública ao longo da Quaresma caiu em desuso, mas ficou no espírito dos fiéis a necessidade de se prepararem ao longo de 40 dias de penitência para as festas pascais. Por sua vez, o catecumenado que, durante séculos, teve na Quaresma a fase de preparação próxima para os sacramentos da iniciação cristã na Vigília Pascal, também caiu em desuso (excepto nas missões ad gentes), mas foi restaurado pelo Concílio Vaticano II, dado o número crescente de baptismos de adultos.

Assim, a “eleição” dos catecúmenos para a fase da “iluminação” passou a fazer-se no I Domingo da Quaresma, entrando os “eleitos” em clima de retiro, marcado nas últimas semanas pelos “escrutínios” com as “tradições” (entregas) do Símbolo da Fé (Credo) e da Oração Dominical (Pai-Nosso), que eles acabam por fazer seus, proclamando-os (reditio) nos últimos escrutínios. Haja ou não catecúmenos, os fiéis de cada comunidade são convidados a viver a Quaresma em espírito catecumenal, preparando- se para a “renovação das promessas do Baptismo” na Vigília Pascal.

Tempo penitencial

A Quaresma é um tempo forte de penitência. A atitude espiritual expressa por esta palavra, tantas vezes na boca dos profetas e de Jesus Cristo, é uma atitude complexa e muito rica, suscitada pela consciência do pecado. Começa por ser arrependimento pelo mal praticado e sincera dor do pecado; logicamente leva ao desejo de expiação e de reparação, para repor a justiça lesada, e de reconciliação com Deus e com os irmãos ofendidos; chega finalmente à emenda de vida e mais ainda à conversão cristã, que é muito mais que uma conversão moral, para ser uma passagem à fé e à caridade sobrenaturais, com tudo o que implica de mudança de mentalidade, sensibilidade e maneira de amar, que passam a ser as próprias dos que pela graça se tornaram verdadeiros filhos de Deus.

Disciplina canónica

Para assegurar expressão comunitária à prática penitencial, sobretudo no tempo da Quaresma, a Igreja mantém o jejum e a abstinência tradicionais. Embora estas duas práticas digam hoje pouco à sensibilidade dos fiéis, mantêm-se em vigor, com variantes de país para país.

Entre nós (Normas da CEP aprovadas na Ass. Plen. de Jul.1984), são dias de jejum para os fiéis dos 18 aos 59 anos (a menos de dispensa, por doença ou outra causa) a Quarta- Feira de Cinzas e a Sexta-Feira Santa (convidando a liturgia a prolongar o jejum deste dia ao longo de Sábado Santo). E são dias de abstinência de carnes, para os fiéis depois dos 14 anos (embora seja bom que a iniciação nesta prática se faça mais cedo), as Sextas-feiras do ano (a menos que cesse a obrigação pela coincidência com festa de preceito ou solenidade litúrgica), com possibilidade de substituição por outras práticas de ascese, esmola (caridade) ou piedade, embora seja aconselhado manter a prática tradicional nas sextas-feiras da Quaresma.

No que respeita à esmola, ela deve ser proporcional às posses de cada um e significar verdadeira renúncia, podendo revestir- se da forma de “contributo penitencial” (e, como já entrou nos hábitos diocesanos, de “renúncia quaresmal”) com destino indicado pelo bispo.

D. Manuel Falcão

Se és capaz de conservar o teu bom senso e a calma, quando os outros os perdem, e te acusam disso;
Se és capaz de confiar em ti, quando de ti duvidam e, no entanto, perdoares que duvidem;
Se és capaz de esperar, sem perderes a esperança e não caluniares os que te caluniam;
Se és capaz de sonhar, sem que o sonho te domine, e pensar, sem reduzir o pensamento a vício;
Se és capaz de enfrentar o Triunfo e o Desastre, sem fazer distinção entre estes dois impostores;
Se és capaz de ouvir a verdade que disseste, transformada por canalhas em armadilhas aos tolos;
Se és capaz de ver destruído o ideal da vida inteira e construí-lo outra vez com ferramentas gastas;
Se és capaz de arriscar todos os teus haveres num lance corajoso, alheio ao resultado e perder e começar de novo o teu caminho, sem que ouça um suspiro quem seguir ao teu lado;
Se és capaz de forçar os teus músculos e nervos e fazê-los servir se já quase não servem, sustentando-te a ti, quando nada em ti resta, a não ser a vontade que diz: Enfrenta!;
Se és capaz de falar ao povo e ficar digno ou de passear com reis conservando-te o mesmo;
Se não pode abalar-te amigo ou inimigo e não sofrem decepção os que contam contigo;
Se podes preencher todo o minuto que passa com sessenta segundos de tarefa acertada;
Se assim fores, meu filho, a Terra será tua, será teu tudo o que nela existe e não receies que to tomem,
Mas (ainda melhor que tudo isto)
Se assim fores, serás um HOMEM.

Rudyard Kipling (1865-1936)
Poeta britânico, prémio Nobel da literatura (1907)

Dia 8 de Março: S. João de Deus

A Ordem Hospitaleira de S. João de Deus foi fundada por João Cidade, nascido em Montemor-o-Novo por volta de 1495 e falecido em Granada em 1550.

João Cidade, mais tarde S. João de Deus, saiu de Portugal para Espanha aos oito anos para uma vida de aventura, tendo sido pastor em Oropesa, por duas vezes, e outras tantas soldado: a primeira vez na guerra de Carlos V contra Francisco I de França e a segunda em Viena contra os turcos.

Após algum tempo a trabalhar nas muralhas de Ceuta, em que se prodigalizou a socorrer uma família aristocrata ali exilada, foi livreiro ambulante no Sul de Espanha, fixando-se com essa profissão em Granada, cerca de 1537.

Por volta do ano de 1538 converteu-se a uma vida cristã radical ao ouvir um sermão de S. João de Ávila. Abraçou, com muita emoção, comportamentos penitenciais que alguns interpretaram como loucura, levando-o a ser internado no Hospital Real de Granada, onde foi tratado com os métodos violentos da época.

A experiência de ver tratar tão mal os loucos do Hospital Real maturou o desejo de os vir a tratar com humanidade. Após peregrinação a Guadalupe, dedicou-se a assistir pobres e doentes sem abrigo. Contra todas as práticas da época passou a assisti-los num pequeno hospital na R. Lucena, o qual, por se tornar pequeno para os 120 doentes e pobres, teve que mudar para outro edifício, em que pôde assistir 200 internados.

Eram hospitais não apenas para assistência mas para tratamentos. Tinham médico, boticário (farmacêutico), enfermeiros e capelães. O Hospital de S. João de Deus, por dispor deste corpo de profissionais, pela separação dos doentes por doenças e pela atribuição de uma cama por doente, é justamente considerado um hospital moderno.

Pelo êxito assistencial que ia ganhando forma na Andaluzia foram-se agregando ao santo alguns companheiros de hábito, que formaram o núcleo fundador da Ordem Hospitaleira de S. João de Deus. Esta teve a sua primeira aprovação em 1 de Janeiro de 1572 por Pio V como congregação. Sisto V, em 1 de Outubro de 1586, aprovou-a com o estatuto de Ordem Mendicante, apesar de ser formada por irmãos leigos.

Ainda no final do séc. XVI os Hospitaleiros começaram rapidamente a difundir-se pelas cidades de Andaluzia chegando até Madrid.

S. João de Deus é proclamado, em 27 de Maio de 1886, em conjunto com S. Camilo de Lélis, patrono dos doentes e seus hospitais e, em 28 de agosto de 1930, igualmente com S. Camilo de Lélis, patrono dos enfermeiros e suas associações.

A Ordem está hoje presente em 50 países dos cinco continentes, com cerca de 300 hospitais e obras assistenciais.

S. João de Deus, que a Igreja evoca a 8 de Março, foi beatificado em 1630 e canonizado em 1690.

Obras de Misericórdia

Espirituais:

1. Dar bons conselhos;
2. Ensinar os ignorantes;
3. Corrigir os que erram;
4. Consolar os tristes;
5. Perdoar as injúrias;
6. Suportar as fraquezas do próximo;
7. Rezar a Deus por vivos e defuntos.

Corporais:

1. Dar de comer a quem tem fome;
2. Dar de beber a quem tem sede;
3. Vestir os nus;
4. Visitar e cuidar dos doentes;
5. Visitar os presos;
6. Acolher os peregrinos;
7. Enterrar os mortos.