22.03.2015 Domingo V da Quaresma - Ano BPerder para GanharSenhor nosso Deus, afasta os discípulos do teu Filho dos caminhos fáceis da popularidade, da glória a qualquer preço, e leva-os a caminhar nos caminhos dos pobres e aflitos de toda a terra, para que saibam reconhecer nos seus rostos o rosto do Mestre e Redentor. Concede-lhes um olhar que veja os caminhos possíveis da justiça e da solidariedade; ouvidos para escutar os pedidos de sentido e salvação de tantos que procuram às apalpadelas; enriquece os seus corações de fidelidade generosa e de delicadeza e compreensão para que se tornem companheiros de caminho e testemunhas verdadeiras e sinceras da glória que resplandece no Crucificado, Ressuscitado e Vitorioso. Ele vive e reina glorioso contigo, ó Pai, pelos séculos dos séculos. Dois anos com o Papa FranciscoCelebrámos, no passado dia 13, o segundo aniversário da eleição do Papa Francisco. Sem dúvida, um dos acontecimentos globais mais marcantes destes tempos recentes. Num mundo prenhe de lideranças frágeis e hesitantes, voltadas para a gestão egoísta, mesquinha e pequena das agendas diárias, sem visão e sem ambição, Francisco constitui a única e a grande reserva moral global. É a voz que prega no deserto. Francisco não seria possível sem Bento XVI e a inspiração renovadora da sua renúncia. Muitos continuam sem perceber a transcendência do gesto de Bento XVI. A admiração, o respeito e até o afecto que suscita o Papa Francisco advêm, antes do mais, da sua exemplaridade. Em Francisco, não há doutrinas, não há correntes teológicas, não há bulas nem decretos. Em Francisco, há gestos, há atitudes, há palavras. Francisco não actua como um filósofo, nem como um doutrinador. Arrojando um pouco, Francisco não chega a ser um pregador, nem talvez — arriscando mais ainda - um pastor. Francisco é um homem que faz, é um homem que fala, é um homem que acolhe e abraça. Resolve não habitar os apartamentos pontifícios, lava os pés às mulheres muçulmanas, baptiza filhos de mães solteiras e de unidos de facto, visita Lampedusa, telefona a doentes pelo mundo inteiro, não se sente capaz de julgar os homossexuais, promove a consulta dos cristãos leigos para o sínodo sobre a família, visita prisões, mostra preocupação com a situação dos recasados, abre balneários para os sem-abrigo na Praça de S.Pedro, alerta ao vir de Manila para os desafios de uma paternidade e maternidade responsáveis, dirige as suas primeiras palavras aos crentes da sua diocese (Roma), recebe em audiência transexuais, insiste na condenação do capitalismo desenfreado, mostra uma verdadeira obsessão pelos mais pobres e excluídos, abraça e beija crianças, deficientes e doentes no espaço público, verbera sem contemplações os casos de pedofilia no clero, aproxima-se de judeus e muçulmanos e demais religiões, visita países improváveis e aparentemente menos prioritários (Albânia, Sri Lanka, Coreia do Sul), serve de mediador entre Cuba e os EUA e prepara-se para tentar apaziguar a Ucrânia. Perante o entusiasmo e a esperança suscitada por este papa, muitos são aqueles que esperam grandes mudanças doutrinais, relevantes câmbios teológicos e enormes reformas organizacionais da Igreja e da Cúria. Não me atrevo a dizer que elas não possam acontecer e atrevo-me até a alvitrar que elas seriam altamente desejáveis. Mas quem olha para estes dois anos de missão deste “jesuíta-franciscano” por esse exclusivo prisma, julgo que perde e falha o essencial. O que verdadeiramente distingue Bergoglio é a vontade de imitar Jesus e de imitar Jesus até no estilo. Jesus Cristo - qualquer que seja a nossa atitude e posição em termos de fé - alterou, até à medula e até à raiz, o fenómeno religioso e o modo como era vivido. Mas não fez nenhuma reforma da organização da religião judaica, não escreveu nenhum tratado teológico, não levou a cabo nenhuma revolução política. Limitou-se a dar o exemplo, a acolher o próximo, a entregar-se por inteiro e sem reservas ao seu desígnio. Optou pelos marginalizados, que tanto podiam ser os pobres como os estrangeiros. Lidou sem tabus com as mulheres, falou com os romanos, tocou nos leprosos, pernoitou em casa dos cobradores de impostos, rodeou-se de pescadores iletrados. E falou sempre de modo simples e acessível, lançando mão de parábolas e de comparações, por vezes dificilmente decifráveis, sem temer o desconcerto e até o escândalo. Francisco, mais do que toda e qualquer grande reforma, tem sido, tem sabido ser um profeta do exemplo. Interpela-nos pelo exemplo; toca-nos pelo sentido profético. Eu, pecador, me confesso directamente a DeusO João, jovem universitário, veio ter comigo para me dizer que não quer confessar-se a um padre, porque acha que não é necessário fazê-lo, para obter o perdão divino. Prefere reconciliar-se directamente com Deus. Afinal, não está Ele em toda a parte?! E não sabe já todos os nossos pecados? Razão não lhe faltava e, por isso, concordei com ele: – Tens toda a razão! Eu também acho o mesmo e, por isso, não me confesso a nenhum padre! Era o que mais faltava! Aliás, que sentido faria estar eu a dizer os meus pecados a uma pessoa que nem sequer ofendi?! Além do mais – e sei do que falo, porque eu próprio sou padre e sou pecador! – os padres nem sempre são os melhores cristãos. Eu confesso-me sempre directamente a Deus. Nunca me confessaria a um padre! O João ficou perplexo com a resposta mas, na dúvida, perguntou-me: – Mas, nunca se confessa a um padre?! Então a quem se confessa? – Pois a Deus, directamente, como tu dizes e dizes muito bem. E pelas tuas mesmas razões! Nem outra coisa faz sentido, acho eu. – Mas – alvitrou, ainda temeroso, o jovem universitário – não é isso que a Igreja ensina ou, pelo menos, a grande maioria dos padres dizem! – Nisso estás tu muito enganado. Todos dizemos o mesmo e todos reproduzimos fielmente a doutrina da Igreja que, sobre este particular, não deixa lugar para dúvidas. Tu é que ainda não percebeste que o que desejas é o que a Igreja te oferece, ou seja, a confissão directamente com Deus! – Como assim, se a confissão individual, para que seja válida, requer sempre o recurso a um confessor?! – Diz-me primeiro: como falas tu com a tua namorada, a Mónica, que está a fazer Erasmus, na Bélgica? – Pelo Skype, ou, se for muita a urgência, pelo telemóvel. – Mas falas directamente com ela? – Sim claro, é com ela que eu falo, embora através de um instrumento. – Não falas com o Skype, nem com o telemóvel, não é verdade? Não começas as tuas conversas com ela cumprimentando o Skype, ou o telemóvel, pois não? – Claro que não! Seria absurdo! Não falo com o Skype, nem com o telemóvel, apenas me sirvo deles para falar directamente com a Mónica! – Pois, João, é isso mesmo! É o que acontece cada vez que me confesso: falo directamente com Deus, é a Ele e só a Ele que eu conto os meus pecados, porque também só Ele me pode perdoar. Faço-o também através de um instrumento, neste caso humano, que é o confessor. Mas não é a ele que me confesso, embora seja através dele que a minha contrição chega a Deus e o perdão de Deus chega a mim, pela absolvição sacramental. – Mas, não seria muito melhor se o perdão divino nos chegasse sem necessidade de recorrer a um ser humano?! – Mas, se fosse como dizes, como é que alguém, mesmo que verdadeiramente arrependido, poderia ter a certeza do perdão de Deus?! Não seria angustiante ficar sem saber se tinha sido, ou não, perdoado?! Não é reconfortante saber que o confessor, precisamente por que é também um pecador, nos compreende, por graves que sejam as nossas faltas? – Tem razão, assim é mais fácil porque, quem nos ouve em confissão, sabe, por experiência própria, do que nos acusamos … A conversa não ficou por aqui, mas o João já se confessa directamente a Deus. Disse-me, da última vez, que é como falar com a Mónica, mas com a vantagem de que, na Igreja, há sempre rede e é de graça! Pois é, é graça de Deus … que tem imensa graça! A confissão, que decidiu a conversão de Chesterton, é a jubilosa expressão do amor de Deus porque, segundo este autor, “a alegria, que era pequena publicidade do pagão, é o gigantesco segredo do cristão”. P. Gonçalo Portocarrero de Almada S. José, Esposo de Maria Padroeiro da Igreja universalNa passada quinta feira celebrámos o dia de S. José. Noutros tempos Dia do Pai em Portugal. Olhemos para José como o modelo do educador, que protege e acompanha Jesus no seu caminho de crescimento, «em sabedoria, idade e graça», como reza o Evangelho de Lucas (2, 52). A todos os pais que assim sabem educar e fazer crescer os seus filhos aqui fica uma palavra de gratidão e apreço. Que S. José acompanhe e fortaleça os pais dos nossos tempos para que consigam fazer crescer e educar os seus filhos e os vejam tornar-se homens e mulheres do mundo de amanhã. Papa convoca Ano Santo da MisericórdiaO Papa convocou um «jubileu extraordinário» centrado na «misericórdia de Deus», que tem início a 8 de Dezembro, dia da Solenidade da Imaculada Conceição, e termina a 20 de Novembro de 2016, Domingo de Cristo Rei. O Santo Padre decidiu promulgar um Ano Santo para tornar «mais evidente» a missão da Igreja de ser «testemunha da misericórdia». Segundo Francisco, «ninguém pode ser excluído da misericórdia de Deus» e a Igreja «é a casa que acolhe todos e não recusa ninguém». A Igreja é a «casa de Jesus» que acolhe todos com misericórdia e não apenas um lugar para os cristãos se fecharem, assinala o Papa, acrescen-tando que «a Igreja tem sempre as portas abertas» e que «quanto maior é o pecado, maior deve ser o amor que a Igreja manifesta aos que se convertem».
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