06.04.2014 V Domingo da Quaresma - Ano A
Renúncia Quaresmal: a alegria da partilhaA renúncia tem uma dimensão positivaMesmo quase na recta final da Quaresma, na qual somos convidados a viver as três práticas que Jesus viveu e aconselhou: a oração, o jejum e a esmola, quero hoje centrar-me na chamada Renúncia Quaresmal. O que é a Renúncia Quaresmal? É o dinheiro que cada católico junta durante a Quaresma, dinheiro que é fruto das renúncias que foi fazendo, em espírito de oração e de conversão. Não se trata tanto de uma esmola; normalmente as esmolas são o que podemos dar do que temos. Este dinheiro tem uma origem diferente: é o resultado do jejum que fiz, do que iria gastar em coisas supérfluas e que podem ser melhor canalizadas. Significa, assim, que cada um de nós irá entregar, na Páscoa, o fruto das suas renúncias. Não é uma campanha de recolha de fundos, não é uma esmola, volto a afirmar. Neste dinheiro está o sacrifício das pessoas e também a alegria da partilha. Somos convidados, neste ‘Santo Tempo da Quaresma’, de forma especial a fazer jejum, abstinência, oração e dar esmola. Para além do valor destes actos em si, são também formas de reforçar a autodisciplina: “Vivemos num tempo de pouca disciplina. É importante perceber que ninguém consegue progredir na vida cristã sem essa disciplina, não podemos rezar simplesmente quando nos apetece”. O Papa Francisco afirma: “Não podemos pensar numa vida cristã fora deste caminho: de humildade, de humilhação, de renúncia a si mesmo para depois se reerguer. Sem a cruz, o estilo cristão não é cristão e se a cruz não tiver Jesus, não é cristã. O estilo cristão toma a cruz com Jesus e vai avante”. “Este estilo nos salvará, nos dará alegria e nos fará fecundos, porque o caminho da renúncia de si mesmo é contrário ao caminho do egoísmo, do apego aos bens... Este caminho é aberto aos outros porque dá vida” – afirmou o Papa. “Seguir Jesus é alegria desde que O sigamos com o seu estilo, e não com o estilo do mundo. Seguir o estilo cristão significa percorrer o caminho do Senhor, “cada um como pode, para dar vida a outros e não a si mesmos: é o espírito da generosidade”. O nosso egoísmo nos impele a querer aparecer importantes diante dos outros. “Pois bem, o livro da Imitação de Cristo” – observa o Papa - “nos dá um belo conselho: ‘Deseja ser desconhecido e tido por nada’. É a humildade cristã; foi o que Jesus fez, antes de todos”: Além do mais tomamos consciência que não somos o centro do mundo, nem nele vivemos sozinhos. Há outras pessoas que precisam de nós e se algum dia formos nós a necessitar outros estarão do nosso lado para nos dar uma mão. Já deu, portanto, para entender que a partilha é o grande objectivo da Renúncia Quaresmal. Muitos, além de jejuarem na alimentação jejuaram, certamente, também no modo de falar e no modo de pensar. A renúncia tem uma dimensão positiva. Madre Teresa de Calcutá disse uma vez que “a pobreza é amor antes de ser renúncia, portanto é uma renúncia por amor, não é renúncia pela renúncia”. Como foi já comunicado, a nossa Renúncia Quaresmal terá o mesmo destino da Campanha de Natal: as vítimas do tufão nas Filipinas. Que o gesto de solidariedade nos leve a perceber o que significa a gratuidade. Numa sociedade em que tudo vale e tudo é pago, um gesto de gratuidade e de partilha faz toda a diferença. Nesta recta final da Quaresma não baixemos os braços nem desanimemos, antes cada um de nós faça este exercício prático sempre que for comprar alguma coisa: será que isto é mesmo importante para a minha sobrevivência? E se renunciasse a isto e desse o dinheiro para quem mais precisa? O Papa Francisco afirmou há dias: «Só há uma verdadeira miséria: não vivermos como filhos de Deus e irmãos em Cristo». O ambiente litúrgico deste domingo está marcado pela terceira catequese baptismal: o evangelho da ressurreição de Lázaro. Este domingo tem algumas características próprias: “No admirável poder da cruz resplandece o julgamento do mundo e a vitória do Crucificado”. A outra característica é o convite a centrar a nossa atenção no mistério de Cristo que celebramos. A primeira leitura é o anúncio de uma firme esperança: o profeta Ezequiel, aos israelitas, exilados e desesperados na Babilónia, convida-os à esperança numa viva nova dada por Deus, fazendo referência à ressurreição, preparando-nos para o trecho evangélico: “Vou abrir os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, ó meu povo, para vos reconduzir à terra de Israel”. Quem participa, pela fé, no Espírito de Deus encontra uma dupla ressurreição: a libertação do pecado e da morte. Em primeiro lugar, encontra a libertação do pecado e da escravidão das pequenas coisas da vida sem qualquer valor, da saída do sepulcro fechado do desespero e do egoísmo. Em segundo lugar, encontra a libertação da morte corporal, a transfiguração do corpo até converter-se na transparência fiel de um espírito novo no Espírito do Senhor morto e ressuscitado. A ordem de Jesus, “Lázaro, sai para fora”, é o grito de Jesus Ressuscitado a toda a humanidade; é o convite a sair do sepulcro do não querer amar e do não querer viver. “Desligai-o e deixai-o ir”, é a ordem dada ao homem escravizado pelos tentáculos do pecado e da morte, para que se possa orientar pelos caminhos da Verdade e da Vida. Comemorando os 50 Anos da Emigração para AlemanhaProcurava-se “mão de obra” - vieram pessoasSe, até 1964, havia na Alemanha um número reduzido de portugueses, quase sempre casos particulares, a partir de 1964 começaram a chegar aos milhares Passada a inspecção médica na Embaixada alemã (dentes, planta dos pés e coluna!), aí vinham eles, milhares por ano. Na Alemanha, que sempre primou pela organização, os primeiros traziam o destino escrito numa folha de papel, eram aguardados em Colónia (Köln) e distribuídos depois pelas empresas que os tinham requisitado. À sua espera estavam alojamentos simples, as “barracas” da empresa, camas em beliche, mas mesmo assim havia um tradutor... Nem tudo eram rosas... Mas as folhas de pagamento ao fim do mês, numa moeda que, convertida em escudos, rendia, criavam a primeira impressão de ter valido a pena... Ninguém veio por mero espírito de aventura. Viemos todos com objectivos concretos de melhorar a situação económica, de modo a poder planear a vida de outra maneira. Angariados como mão-de-obra, viemos para trabalhar e trabalho não faltava então. Trabalho e “privados” sem conta. Mas um imigrante é mais do que mão de obra. É pessoa. E as necessidades da pessoa humana são mais do que as financeiras. Depois dos primeiros contigentes de homens, vieram as mulheres. Era preciso encontrar casa, tornar-se independente dos alojamentos colectivos. E não tardava a levantar-se a questão dos filhos. Que fazer com eles?! Trazê-los para aqui? deixá-los com os avós? metê-los em internatos?! Uma questão para muitos sem solução e, tantas vezes, vivida dramaticamente. Alma de CristoAlma de Cristo, santificai-me. Corpo de Cristo, salvai-me. Sangue de Cristo, inebriai-me. Água do lado de Cristo, lavai-me. Paixão de Cristo, confortai-me. Ó bom Jesus, ouvi-me. Dentro das Vossas Chagas, escondei-me. Não permitais que me separe de Vós. Do espírito maligno, defendei-me. Na hora da minha morte, chamai-me. E mandai-me ir para Vós, para que Vos louve com os Vossos Santos, por todos os séculos dos séculos. Amen.
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