05.07.2015 Domingo XIV do Tempo Comum - Ano B
«Um profeta só é desprezado na sua terra»O último dos Profetas foi o próprio Filho de Deus, Jesus. Mais do que Profeta, porque Ele, não só anunciou a palavra de Deus, mas Ele próprio é a Palavra do Pai, e veio a este mundo precisamente para ser a Palavra de Deus no meio dos homens. Apesar disso, os seus próprios compatriotas desprezaram-n’O. Era para eles apenas um vizinho, todos Lhe conheciam a história, e facilmente desprezamos o que só conhecemos por fora. Outros, ao longe, hão-de acreditar n’Ele, e, por Ele, chegar ao Pai. Orações da Encíclica Papal: Laudate Si«LAUDATO SI’, mi’ Signore – Louvado sejas, meu Senhor», cantava São Francisco de Assis. Neste gracioso cântico, recordava-nos que a nossa casa comum se pode comparar ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma boa mãe, que nos acolhe nos seus braços: «Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe terra, que nos sustenta e governa e produz variados frutos com flores coloridas e verduras».[1] 2. Esta irmã clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos a pensar que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la. A violência, que está no coração humano ferido pelo pecado, vislumbra-se nos sintomas de doença que notamos no solo, na água, no ar e nos seres vivos. Por isso, entre os pobres mais abandonados e maltratados, conta-se a nossa terra oprimida e devastada, que «geme e sofre as dores do parto» (Rm 8, 22). Esquecemo-nos de que nós mesmos somos terra (cf. Gn 2, 7). O nosso corpo é constituído pelos elementos do planeta; o seu ar permite-nos respirar, e a sua água vivifica-nos e restaura-nos. Nada deste mundo nos é indiferente 3. Mais de cinquenta anos atrás, quando o mundo estava oscilando sobre o fio duma crise nuclear, o Santo Papa João XXIII escreveu uma encíclica na qual não se limitava a rejeitar a guerra, mas quis transmitir uma proposta de paz. Dirigiu a sua mensagem Pacem in terris a todo o mundo católico, mas acrescentava: e a todas as pessoas de boa vontade. Agora, à vista da deterioração global do ambiente, quero dirigir-me a cada pessoa que habita neste planeta. Na minha exortação Evangelii gaudium, escrevi aos membros da Igreja, a fim de os mobilizar para um processo de reforma missionária ainda pendente. Nesta encíclica, pretendo especialmente entrar em diálogo com todos acerca da nossa casa comum (...). Depois desta longa reflexão, jubilosa e ao mesmo tempo dramática, proponho duas orações: uma que podemos partilhar todos quantos acreditam num Deus Criador Omnipotente, e outra pedindo que nós, cristãos, saibamos assumir os compromissos para com a criação que o Evangelho de Jesus nos propõe. (Muitos terão a possibilidade, nos próximos tempos, de gozar as suas férias. Como seria belo se arranjassem tempo e ocasião para uma oração na natureza! E porque não com estas palavras do Papa Francisco).
Oração pela nossa terra:Deus Omnipotente,que estais presente em todo o universo e na mais pequenina das vossas criaturas, Vós que envolveis com a vossa ternura tudo o que existe, derramai em nós a força do vosso amor para cuidarmos da vida e da beleza. Inundai-nos de paz, para que vivamos como irmãos e irmãs sem prejudicar ninguém. Ó Deus dos pobres, ajudai-nos a resgatar os abandonados e esquecidos desta terra que valem tanto aos vossos olhos. Curai a nossa vida, para que protejamos o mundo e não o depredemos, para que semeemos beleza e não poluição nem destruição. Tocai os corações daqueles que buscam apenas benefícios à custa dos pobres e da terra. Ensinai-nos a descobrir o valor de cada coisa, a contemplar com encanto, a reconhecer que estamos profundamente unidos com todas as criaturas no nosso caminho para a vossa luz infinita. Obrigado porque estais connosco todos os dias. Sustentai-nos, por favor, na nossa luta pela justiça, o amor e a paz. Oração cristã com a criação Nós Vos louvamos, Pai, com todas as vossas criaturas, que saíram da vossa mão poderosa. São vossas e estão repletas da vossa presença e da vossa ternura. Louvado sejais! Filho de Deus, Jesus, por Vós foram criadas todas as coisas. Fostes formado no seio materno de Maria, fizestes-Vos parte desta terra, e contemplastes este mundo com olhos humanos. Hoje estais vivo em cada criatura com a vossa glória de ressuscitado. Louvado sejais! Espírito Santo, que, com a vossa luz, guiais este mundo para o amor do Pai e acompanhais o gemido da criação, Vós viveis também nos nossos corações a fim de nos impelir para o bem. Louvado sejais! Senhor Deus, Uno e Trino, comunidade estupenda de amor infinito, ensinai-nos a contemplar-Vos na beleza do universo, onde tudo nos fala de Vós. Despertai o nosso louvor e a nossa gratidão por cada ser que criastes. Dai-nos a graça de nos sentirmos intimamente unidos a tudo o que existe. Deus de amor, mostrai-nos o nosso lugar neste mundo como instrumentos do vosso carinho por todos os seres desta terra, porque nem um deles sequer é esquecido por Vós. Iluminai os donos do poder e do dinheiro para que não caiam no pecado da indiferença, amem o bem comum, promovam os fracos, e cuidem deste mundo que habitamos. Os pobres e a terra estão bradando: Senhor, tomai-nos sob o vosso poder e a vossa luz, para proteger cada vida, para preparar um futuro melhor, para que venha o vosso Reino de justiça, paz, amor e beleza. Louvado sejais! Amen. Tolerância, igualdade, casamentos, ideologia de género…O que significa a palavra ‘tolerância’? Consultemos alguns dicionários. «Condescendência ou indulgência para com aquilo que não se quer ou não se pode impedir». «Boa disposição dos que ouvem com paciência opiniões opostas às suas». «Termo que vem do latim “tolerare” que significa “suportar”, “aceitar”. É o ato de indulgência perante algo que não se quer ou que não se pode impedir. A tolerância é uma atitude fundamental para quem vive em sociedade. Uma pessoa tolerante normalmente aceita diferentes opiniões ou comportamentos diferentes daqueles estabelecidos pelo seu meio social». «Ação ou resultado de tolerar; ação de consentir sem manifestar uma oposição ou agressividade; postura de quem permite que outras pessoas manifestem diferentes opiniões e pensamentos, por vezes divergentes dos seus, e ajam em função dos mesmos; consentimento ou aceitação; respeito pela opinião das outras pessoas; vontade ou inclinação para desculpar lapsos e falhas dos outros; complacência ou condescendimento; anuência, aprovação ou autorização». Analisando os significados vemos que se referem sempre a aceitar algo que não é conforme, que não é correto, que não é normal. Eu não preciso tolerar o que eu, ou a sociedade, ou natureza, ou a lei fundamental, ou a norma aceitam como bom ou bem. Só preciso aceitar, tolerar o que é mau ou mal. Mas não troco o bem pelo mal ou o bom pelo mau. O escritor Umberto Eco afirma que «para ser tolerante, é preciso fixar os limites do intolerável». Já o nosso Saramago dizia: «tolerância não é igualdade». E acrescentava: «Eu sou contra a tolerância, porque ela não basta. Tolerar a existência do outro e permitir que ele seja diferente ainda é pouco». Entretanto, quantas vezes ouvimos a expressão «tolerância zero»: contra o racismo, contra o álcool na condução, contra a violência domestica… Mas, então, devemos ou não tolerar? Quem impõe os limites? E quem delimita é ou não tolerante. Se por vezes essa tolerância ou falta dela está apenas assente numa questão social, outras porem, assentam simplesmente na génese do nosso ser, da nossa ontologia. Nunca alguém poderá mudar o que é. Nunca alguém poderá mudar a ontologia de um ser. Nem todas as maiorias deste mundo. Nem querendo mudar o significado das palavras, dos nomes. Um ‘tratante’ deixou de significar negociante. Mas um negociante desonesto continua a ser um tratante. Precisamos saber que não há tolerância sem regras. Não há tolerância sem limites. Tolerância nunca significa fazer do bem mal e do mal bem. Nunca! E isto é intolerância? Não. É simplesmente saber ser tolerante mesmo sabendo que não está certo. Senão o que acontece é que os que são tolerados não toleram quem os tolera. Vejam o que se está a passar em tantos e tantos quadrantes da nossa sociedade. Quem não concorda com o aborto, com o nome de ‘casamento’ para a união gay, com a ideologia de género, e tantos outros temas simplesmente é intolerado e acusado com todo o tipo de adjetivos manifestantes da mais alta intolerância. Não sejamos ingénuos deixando-nos embarcar nas ideologias de uns tantos (tão poucos) que, pela sua intolerância, mas em nome da tolerância, nos querem tornar numa espécie de cachorrinhos que num tempo foi moda trazer junto ao vidro traseiro dos automóveis e que sempre abanavam a cabeça concordando com tudo… até com as maiores besteiras do condutor!
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