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21.12.2014
Domingo IV Advento  -  Ano B

«Conceberás e darás à luz um Filho»  

Maria aceitando ser a Mãe do Salvador, prometido a David, encerra o longo período de expectativa da humanidade. Pela sua fé, pelo seu «sim» generoso, Deus começa a habitar no Seu Povo.

Israel, apesar das advertências dos profetas (Deut. 12, 2-12), sonhava multiplicar os santuários, onde habitasse o Seu Deus. Mas só Deus pode escolher e construir uma morada digna d’Ele. E, na verdade, Ele mesmo a escolhe, pobre e humilde, de maneira desconcertante para o orgulho humano. O humilde acolhimento de Maria dá-Lhe a morada, que Ele desejava. O Espírito Santo realiza essa maravilha: Ele faz habitar o Verbo de Deus entre os homens.

Em Maria, a primeira entre os cristãos a comprometer-se na grande aventura da fé, nasce a Igreja, morada de Deus no meio dos homens (Apoc. 21, 3). Acontece Natal! 

E i s - m e   a q u i,    p a r a    c e l e b r a r    o    T e u    N a t a l

Como Maria tornemo-lo possível

O Natal do Senhor está aí, está à porta. Ao longo do Advento fomo-nos preparando para viver este mistério do Nascimento de Jesus. Preparámo-nos para celebrar a memória de um acontecimento que, vivido há mais de dois mil anos, continua a motivar os crentes para uma vida marcada pelos valores do Evangelho.

O Natal não é um acontecimento do passado. É, continua a ser um acontecimento do presente, do nosso mundo, do nosso tempo.

A liturgia deste IV Domingo do Advento está dominada por três ideias-chave: o “sim” de Maria, a construção do templo, a glória de Deus. O “sim” de Maria convida ao sim de todos os cristãos. Dizer sim a Deus e aos homens significa uma generosidade total para entrar no plano de Deus. Qualquer cristão podia hoje perguntar-se: Senhor que queres que eu faça? (Evangelho).

Construir um templo não é fácil. O templo de David e o templo de Salomão foram obras reveladoras da fé do povo de Israel. Há porém um templo mais fácil de edificar que é o próprio “coração humano”. É aí que Jesus deve nascer como nasceu em Belém. (1ª leitura). Esse templo dura toda uma vida a contruir pois esse templo não é mais que a nossa vida. Um templo cuja construção, se quisermos tem sempre a mão de Deus. Caso contrario não será templo de habitação de Deus. Uma aventura que preenche toda uma vida e que a torna repleta de alegria.

Mas o grande objectivo de todas as celebrações natalícias é afirmar a glória do Nosso Deus. Se o mundo de hoje anda longe da prática do Evangelho é cada cristão que tem o dever de anunciar Jesus Cristo, porque só nele se revela o poder e a glória do nosso Deus.

A Anunciação do Anjo Gabriel

O que surpreende mais nesta narrativa do Eavngelho são as seis atitudes de Maria. Interpelada pelo Anjo, como reage? Revela que está atenta ao que dizem as Escrituras. Maria sabe pela leitura de Isaías que uma virgem conceberá e dará à luz um filho. Não pensava porém ser ela a escolhida (1). Porém reage com um discernimento extraordinário. Ela sabe que não pode conceber um filho porque não vive com qualquer homem. Quer ser esclarecida e entende pelas palavras do Anjo que para Deus não há impossíveis (2). Tem consciência de que vai levantar muitos problemas que poderão inclusivamente marginalizá-la na comunidade de Nazaré. José foi o primeiro a reagir e o Anjo teve que lhe dar a explicação (3). Foi então que Maria disse um sim sem condições “servirei o Senhor como Ele quiser” (4). Motivada pela presença de Jesus em si, sente a urgência da caridade e vai ao encontro de Isabel, “o próximo mais próximo” (5). Finalmente e com Isabel entoa uma oração de acção de graças, o Magnificat (6). Estas seis atitudes de Maria são reveladoras das linhas de acção novas que os cristãos devem viver quando interpelados pelo projecto de Deus. Deus pede sempre e o cristão deve saber dizer sim com consciência e com responsabilidade.

A construção do templo

A história de David é feita de fidelidades e infidelidades, mas Deus não deixa nunca de protegê-lo. Tirou-o dos campos onde pastoreava os rebanhos, esteve com ele em todo o lado, deu-lhe um nome grande que o prestigiou no seu tempo, preparou um lugar para se apresentar como rei. Toda esta protecção de Deus exigia a construção de um templo, um palácio onde o Senhor habitaria. Deus foi para David um pai, e ele foi para Deus um filho. Porém, só o descendente de David iria construir o grande templo que se tornaria referência para todo o povo: o templo de Salomão. Compreende-se este texto em vésperas de Natal porque enquanto David e Salomão viveram em palácios reais, Jesus vai nascer numa gruta de Belém. O coração do cristão será como a gruta de Belém que na simplicidade e pobreza se dispõe a acolher Jesus Salvador.

Só a Deus glória e poder

É diferente a perspectiva da mensagem cristã no mundo de hoje. Actualmente todos procuram ser conhecidos, ser protagonistas, ter resultados, ser considerados, ter poder. Jesus, ao nascer num presépio, apresenta-se na maior das humildades. Vem de uma cidade pobre, Nazaré, a família vai ser recenseada em Belém, vai nascer numa gruta perto dos animais, vai ser adorado pelos pastores e pela gente humilde. Só Deus tem uma leitura diferente para este Menino que vai nascer, por isso, os anjos irão cantar “glória a Deus nas alturas e a paz aos homens de boa vontade”. Será Jesus a revelar, pelos tempos fora, a glória e o poder de Deus.

 

Mensagem para o 48.º Dia Mundial da Paz Papa condena«abominável» escravatura e tráfico de pessoas

O Papa Francisco denuncia na sua mensagem para o 48.º Dia Mundial da Paz o “fenómeno abominável” da escravatura e do tráfico de pessoas, apelando ao compromisso de governos, empresas, religiões e sociedade civil. «Ainda hoje milhões de pessoas, crianças, homens e mulheres de todas as idades, são privadas da liberdade e constrangidas a viver em condições semelhantes às da escravatura», escreve, no texto apresentado ontem pelo Vaticano.

Na segunda mensagem para esta celebração anual, assinalada a 1 de Janeiro, o Papa escolheu como tema “Já não escravos, mas irmãos”, condenando a «rejeição do outro, maus-tratos às pessoas, violação da dignidade e dos direitos fundamentais, institucionalização de desigualdades».

Francisco fala sobre as «múltiplas faces da escravatura», recordando trabalhadores e trabalhadoras,

incluindo menores, «escravizados nos mais diversos sectores»; os imigrantes remetidos para a clandestinidade ou para «condições indignas» de vida e trabalho.

«Sim! Penso no “trabalho escravo”», alerta o Papa, desafiando as empresas a «garantir aos seus empregados condições de trabalho dignas e salários adequados» e a «vigiar para que não tenham lugar, nas cadeias de distribuição, formas de servidão ou tráfico de pessoas humanas». A mensagem alude ainda às redes de prostituição, aos casamentos forçados, ao tráfico e comercialização de órgãos, às crianças-soldados, aos pedintes, ao recrutamento para produção ou venda de drogas e a formas disfarçadas de adopção internacional.

Face à dimensão actual do problema, Francisco propõe um compromisso global de «prevenção, protecção das vítimas e cação judicial contra os responsáveis» pelas formas de escravatura e tráfico humanos.

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Celebrar o Natal é descobrir «a vocação e a missão da família». Segundo o Papa, «a família de Nazaré é uma família real, uma família normal; contemplando-a, descobrimos a vocação e a missão da família, de cada família».

Na última audiência geral, Francisco assinalou que «cada família cristã – como fizeram Maria e José – pode acolher Jesus, ouvi-Lo, falar com Ele, guardá-Lo, protegê-Lo, conversar com Ele; e, deste modo, melhorar o mundo». Basta dar «espaço ao Senhor no nosso coração e no nosso dia-a-dia».

Francisco disse ainda que tal como aconteceu «naqueles trinta anos de vida oculta de Jesus em Nazaré, assim pode suceder connosco: fazer com que se torne normal o amor e não o ódio, fazer com que se torne comum a ajuda recíproca e não a indiferença nem a inimizade».

O Santo Padre afirmou que «todas as vezes que há uma família que guarda no coração este mistério da vocação e missão da família, ainda que seja na periferia do mundo, está a realizar-se o mistério do Filho de Deus. E Ele vem para salvar o mundo».

 

«O Natal não é um acontecimento dentro da história.
É antes a invasão do tempo pela eternidade».

Hans Ur von Balthasar (1905-1988) sacerdote, teólogo e escritor suíço