23.02.2014 VII Domingo do Tempo Comum - Ano A‘Sede santos, porque Eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo’. O Senhor é clemente e compassivo, paciente e cheio de bondade; não nos tratou segundo os nossos pecados, nem nos castigou segundo as nossas culpas. Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? (…) O templo de Deus é santo, e vós sois esse templo. Sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito. A santidade: o estado normal de quem se identifica com Cristo“Sede santos porque Eu, o vosso Deus, sou santo”. Porque é que o convite à santidade soa como algo de estranho para os homens de hoje? Porque uma certa mentalidade contemporânea vê os santos como extra-terrestres, seres estranhos que pairam um pouco acima das nuvens sem se misturar com os outros seus irmãos e que passam ao lado dos prazeres da vida, ocupados em conquistar o céu a golpes de renúncia, de sacrifício e de longos trabalhos ascéticos… No entanto, a santidade não é uma anormalidade, mas uma exigência da comunhão com Deus. É o “estado normal” de quem se identifica com Cristo, assume a sua filiação divina e pretende caminhar ao encontro da vida plena, do Homem Novo. A santidade é algo que está no meu horizonte diário e que eu procuro construir, minuto a minuto, sem dramas nem exaltações, com simplicidade e naturalidade, na fidelidade aos meus compromissos? Como a liturgia deste Domingo deixa claro, ser santo não significa viver de olhos voltados para Deus esquecendo os homens; mas a santidade implica um real compromisso com o mundo. Passa pela construção de uma vida de verdadeira relação com os irmãos; e isso implica o banimento de qualquer tipo de agressividade, de vingança, de rancor; implica uma preocupação real com a felicidade e a realização do outro (“corrigirás o teu próximo”); implica amar o outro como a si mesmo. Tenho consciência de que não posso ser santo se o amor não se derramar dos meus gestos e das minhas palavras? Tenho consciência de que não posso ser santo se vivo fechado em mim mesmo, na indiferença para com os meus irmãos (ainda que reze muito)? Para que a santidade não seja uma miragem, temos de ter o cuidado de viver num contínuo processo de conversão, que elimine do nosso coração as raízes do mal, responsáveis pelo egoísmo, pelo ódio, pela injustiça, pela exploração. O Papa Francisco, a este propósito, diz o seguinte: “Os Santos não são super-homens e nem nasceram perfeitos. Antes, são pessoas que vivem uma vida normal, com alegrias e tristezas, fadigas e esperanças, mas que, porque descobrem o amor de Deus nas suas vidas, seguem-no de coração, sem nenhuma condição ou hipocrisia”. “Santos são aqueles que dedicam suas vidas ao serviço dos outros, suportam sofrimentos e adversidades sem odiar e respondem ao mal com o bem, difundindo alegria e paz. Os santos nunca odiaram. O amor é de Deus, mas o ódio vem de quem? Vem do diabo. Os santos distanciam-se do diabo. Os Santos são homens e mulheres que têm alegria no coração e a transmitem aos outros. Não devemos odiar os outros, mas servir os outros, os necessitados, rezar e se alegrar: este é o caminho da santidade.” O Papa destaca ainda que “ser santos não é um privilégio de poucos, como se alguém recebesse uma grande herança. Todos nós recebemos a herança de nos tornarmos Santos no Batismo. Ser santo é uma vocação para todos. Todos nós somos chamados a percorrer o caminho da santidade e o caminho que leva à santidade tem um nome e um rosto: Jesus Cristo. No Evangelho, Ele nos mostra a estrada das Bem-Aventuranças”. O Santo Padre frisa ainda que “o Reino dos Céus é para aqueles que não depositam sua confiança nas coisas, mas no amor de Deus; é para aqueles que têm um coração simples, humilde, que não presumem ser justos e não julgam os outros. Essas pessoas sabem sofrer com os que sofrem e se alegrar com os que se alegram. Não são violentos, mas misericordiosos e buscam ser artífices da reconciliação e paz”. Com o seu testemunho os Santos nos encorajam a não termos medo de caminhar contracorrente ou ser mal-entendidos e ridicularizados quando falamos de Cristo e do Evangelho. “Eles nos mostram com sua vida que aquele que permanece fiel a Deus e à sua Palavra experimenta já nessa terra o conforto de seu amor e o cêntuplo da eternidade. Todos podemos ser santosSanto és Tu, Senhor, Santo é o Teu ser, Santo é o Teu amor, Santa é a Tua generosidade. Santos são os Teus gestos. Tudo é santo em Ti, Senhor. Mas Tu queres que também nós sejamos santos. A nós parece-nos um sonho impossível. Mas para Ti, Senhor, é tarefa realizável, é missão que está ao nosso alcance. Não estás aí, no alto, à nossa espera. Estás connosco, aqui, ao nosso lado, dentro de cada um de nós. Somos teu templo. Templo da Tua presença santa. Ser santo é, afinal, ser (ou procurar ser) como Tu: Manso, humilde, despojado,puro,pacífico. Ser santo não é deixar a vida: é colocar a Tua Palavra no centro da vida. Ser santo não é deixar o mundo: é depositar o Teu amor no coração do mundo. Ser santo não é ser desumano: pelo contrário, é ser autenticamente humano, inteiramente humano, plenamente humano. Ser santo é ser irmão, é ser fraterno, é estender a mão, é abrir o coração. A santidade está no Céu, mas não está ausente da terra. Ser santo é ser feliz: não apenas depois, mas também agora, já. E ser feliz não é só quando se ri; é também quando se chora. Tu, Senhor, proclamaste felizes os que choram. Ser feliz não é ser rico de bens materiais: Tu, Senhor, declaraste felizes os pobres. Ser feliz não é vencer as guerras: Tu, Senhor, chamas felizes aos que constroem a paz. Ser feliz não é passar por cima dos outros: Tu, Senhor, consideras felizes os que têm fome e sede justiça. Ser feliz não é ter uma vida sem problemas: Tu, Senhor, até dizes que podemos ser felizes quando somos perseguidos e insultados. Ser feliz é não ser fingido. É ser autêntico. É manter a serenidade. É acender a luz da esperança por entre as nuvens do desespero. Obrigado, Senhor, por todos os santos que estão no Céu. Obrigado, Senhor, por tantos santos que vivem ao nosso lado e fazem caminho connosco. De muitos sabemos o nome e conhecemos a vida. Mas há mais, muitos mais, cujo nome ignoramos e cujo número nem sequer conseguimos imaginar. Muitos pertenceram à nossa família. Muitos foram ou são nossos vizinhos. Santos são aqueles que deixam, no mundo, uma semente de bondade e um rasto de luz. Obrigado, Senhor, por todos os santos que continuam aqui na terra. Obrigado por nos convidares a ser santos. Apesar dos nossos defeitos, Tu, Senhor, continuas a acreditar em nós. Grava, Senhor, no mais fundo de nós, o texto maravilhoso das Bem-Aventuranças. Ele é o programa a seguir, o caminho a trilhar e a meta a alcançar. Que o conservemos na mente e o guardemos no coração para que o possamos aplicar na vida. Nossa Senhora, Mãe da esperança, acompanha-nos na nossa jornada pelo tempo. Faz brilhar em nós a luz do Teu sim. Tu és a toda santa, a toda bela, a toda pura. Dá-nos a graça de sermos simples e fiéis, Persistentes e constantes. Semeia em nós a santidade. Que sejamos humildes como Tu. Que deixemos Deus fazer através de nós as maravilhas que Deus realizou por meio de Ti. Ajuda-nos no caminho, Acompanha-nos na viagem. Apoia-nos quando caímos. Enxuga as nossas lágrimas. Dá-nos a Tu mão, agora, E recebe-nos no Teu coração, depois, na eternidade. Que sejamos santos E, por isso, felizes. E, por isso, cada vez mais amigos, Cada vez mais unidos, Cada vez mais irmãos! A liturgia do sétimo Domingo do Tempo Comum convida-nos à santidade, à perfeição. Sugere que o “caminho cristão” é um caminho nunca acabado, que exige de cada homem ou mulher, em cada dia, um compromisso sério e radical (feito de gestos concretos de amor e de partilha) com a dinâmica do “Reino”. Somos, assim, convidados a percorrer o nosso caminho de olhos postos nesse Deus santo que nos espera no final da viagem. A primeira leitura que nos é proposta apresenta um apelo veemente à santidade: viver na comunhão com o Deus santo, exige o ser santo. Na perspectiva do autor do nosso texto, a santidade passa também pelo amor ao próximo. No Evangelho, Jesus continua a propor aos discípulos, de forma muito concreta, a sua Lei da santidade (no contexto do “sermão da montanha”). Hoje, Ele pede aos seus que aceitem inverter a lógica da violência e do ódio, pois esse “caminho” só gera egoísmo, sofrimento e morte; e pede-lhes, também, o amor que não marginaliza nem discrimina ninguém (nem mesmo os inimigos). É nesse caminho de santidade que se constrói o “Reino”. Na segunda leitura, Paulo convida os cristãos de Corinto – e os cristãos de todos os tempos e lugares – a serem o lugar onde Deus reside e Se revela aos homens. Para que isso aconteça, eles devem renunciar definitivamente à “sabedoria do mundo” e devem optar pela “sabedoria de Deus” (que é dom da vida, amor gratuito e total).
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