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25.05.2014
Domingo VI da Páscoa   -   Ano A

EVANGELHO - Jo 14, 15-21

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se Me amardes, guardareis os meus mandamentos. E Eu pedirei ao Pai, que vos dará outro Paráclito, para estar sempre convosco: Ele é o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê nem O conhece, mas que vós conheceis, porque habita convosco e está em vós. Não vos deixarei órfãos: voltarei para junto de vós. Daqui a pouco o mundo já não Me verá, mas vós ver-Me-eis, porque Eu vivo e vós vivereis. Nesse dia reconhecereis que Eu estou no Pai e que vós estais em Mim e Eu em vós. Se alguém aceita os meus mandamentos e os cumpre, esse realmente Me ama. E quem Me ama será amado por meu Pai e Eu amá-lo-ei e manifestar-Me-ei a ele».

Jesus promete aos Apóstolos enviar-lhes o Espírito Santo, que será neles, ao mesmo tempo, o seu auxiliar e advogado no meio das dificuldades que hão-de suportar para se manterem fiéis, e o consolador e intercessor nas lutas que hão-de sofrer para vencerem os obstáculos que lhes advirão da parte do mundo.

Será o Espírito Santo que lhes fará reconhecer o Senhor vivo para além da morte, na glória da ressurreição.

Dia da Mãe... e do Pai

Fui, um dia destes, ao supermercado fazer uma compras rápidas quando, já junto à caixa, observo uma conversa entre mãe e filha aí dos seus 7 anos. Não vou revelar o conteúdo do carrinho de comprar, apenas esta curta conversa. Porque vê nos expositores, junto à caixa, as últimas ‘promoções’, pergunta aquela mãe à filha: - Achas que precisas de mudar a tua escova dos dentes? Resposta da filha: - Sim, sim. Até porque nunca gostei da cor da que me compraste. Acrescenta a mãe: - Então escolhe tu. E leva já três porque não se deve usar a mesma muito tempo. E lá lavaram três para cada um lá de casa. Pelos contas, viviam só as duas.

Quem educa quem? Que governo de casa, de rendimento familiar, de país… se pode esperar de gente assim? Da mãe, agora, e da filha, mais tarde! Pela aragem… preenchiam todos os parâmetros de quem vivia de ajuda social.

Mas tal comportamento é o espelho da verdadeira crise. De uma crise que há muito se sabe não é só económica. Não é sobretudo económica mas de valores. Crise de valores.

Ao perguntar quem educa quem, saltam-me à mente muitas e variadas situações em que me pergunto: como podem estes filhos dar alguma coisa na vida com uns progenitores que não sabem ser pais?!

É o pai a desautorizar a mãe que acabou de ralhar com o menino, a mãe a anular a ordem que o pai acabou de dar, pais a discutir a educação dos filhos à frente dos filhos, ou seja, os putos não recebem uma educação, assistem a um workshop.

Há dias, no consultório pediátrico, um daqueles monstrengos que nunca ouviu um não parecia o Diabo da Tasmânia, limpava o chão com a roupa, tirava as folhas das plantas e, acima de tudo, estava naquela fase do pré-bullying no contacto com as outras crianças. Um amor.

Às tantas, virou a atenção para um fio da mãe, transformando-o num ioiô. A mãe reagiu, colocou-o de castigo. Numa resposta pensada ao milímetro, o miúdo irrompeu num pranto que se podia ouvir na Austrália. Fazendo exactamente aquilo que o garoto queria, o paizinho entrou em cena, retirou o fio das mãos da mulher e disse: “pronto, ninguém fica com o fio”. Um verdadeiro Salomão!

E aquilo que tantos pais e mães analfabetos fizeram com amor, não conseguem fazer estes pseudo-cultos que, no fundo, nas situações mais comuns mostram a sua mais básica ignorância.

O pai deve secundar as ordens da mãe, mesmo quando não concorda com elas, porque o importante é não desautorizar a mãe à frente do filho. E vice-versa. Até pode achar que uma ida ao parque não faz mal, mas, se um deles já disse que não, o outro tem de manter esse não. Sem esta renúncia, sem esta humildade, não há educação que resista e a vida em família transforma-se num inferno.

Sem esta unidade entre pai e mãe, os garotos crescem sem educação, pior, aprendem logo a aproveitar as falhas na muralha paternal, tornam-se mestres na arte de atirar pai contra mãe e mãe contra pai, avó contra pai, sogra contra genro, nora contra sogro, periquito contra sogra, sogra contra hamster, um forrobodó de rancor provocado pela esperteza egoísta do petiz, uma esperteza alimentada pelo egoísmo do pai ou da mãe, que são incapazes de enfiar a viola no saco, de contar uma opinião divergente, de demonstrar um pedacinho de humildade.

Sobretudo, o importante é que cada um ocupe o seu lugar e que o ocupe com responsabilidade. Compete aos pais a educação dos filhos. Façam-no. Uma mãe que pergunta ao filho três ou quatro anos o que quer comer, o que quer vestir, o que quer fazer, onde quer ir… não está a cumprir o seu papel de mãe. Quando muito de uma falsa colega de escola.

O mês de Maio, na Alemanha, é o mês da mãe e do pai (próxima quinta feira). Seria bom que o fosse não só para prendas e comércio… mas, sobretudo, para que os pais reflictam como estão a exercer o seu papel de educadores primeiros de seus filhos.

A arte de deseducar

Numa simples ida ao cinema (também bem à imagem de filhos modernos, já não acompanhados pelos pais desde tenra idade) esta crise de valores ou mesmo deturpação dos mesmos pode passar de modo muito sub-reptício.

É o que acaba de acontecer em mais uma produção Disney: “Maléfica”. Ou a arte de tornar os malvados simpáticos.

Há, de facto, uma mudança interessante que “Maléfica” faz em relação ao conto da “Bela Adormecida”, e que é evidente já no título: desta vez, a história tem como centro a vilã, enquanto a heroína se torna um personagem em segundo plano.

Noutros tempos, ao contar a história de santos, assistia-se à transformação de vida das pessoas em questão. Agora buscam-se argumentos para justificar porque fazem o mal. E até se justifica o mesmo mal porque a culpa está nos outros. No filme, a maldição de Maléfica sobre a pequena princesa Aurora é somente uma forma de proteger sua terra. Se ela age para defender os seus, como pode ser má?

E não é o primeiro filme da Disney que adota este ponto de vista com relação aos “maus”.

Uma outra destas ‘revisões’ foi apresentada em “Oz: mágico e poderoso”, em que a Bruxa Má do Oeste é apresentada como vítima de uma cruel manipulação – o que justificaria seus atos.

Também em “Detona Ralph”, toda a base é a luta do malvado de um videogame para chegar ao heroísmo.

O mantra de Ralph, inclusive no final do filme, é “Eu sou mau, e isso é bom; eu nunca serei bom, e isso não é mau”.

Os filmes e contos do passado, como “A bela adormecida” e “O mágico de Oz” expressavam interpretações concretas das categorias certo/errado, refletidas em personagens absolutamente bons ou absolutamente maus.

Não haveria um meio termo para a Bruxa Má do Oeste que cuspia fogo, ou para Maléfica, que mudava de forma em suas histórias originais; mas a sociedade moderna criou muitas variações de cinza para interpretar as ações das pessoas, e estas histórias apresentadas do ponto de vista do vilão, parecem ser o resultado desta mentalidade.

Poderia parecer inócuo, mas, se gastamos tanto tempo obcecados com a origem ou as motivações dos maus, poderíamos começar a nos perguntar onde foram parar os verdadeiros heróis.

Mês de Maio: Mês de Maria, mês das Mães, Primavera, Alegria.

Porque não fazer o propósito de em cada dia deste mês procurar fazer alguém feliz? Um gesto, um pensamento, uma Avé-Maria...

Este foi o texto que publiquei no início do mês. Certamente que algumas pessoas gostaram e aplicaram a sugestão. No passado Domingo, no autocarro a caminho de Ottobeuren, alguém contava uma destas experiências. Tinha levado flores à vizinha. Assim, sem outro motivo que o de ‘procurar fazer alguém feliz’ como sugestionava o simples texto do Boletim Dominical. E contava essa senhora como foi grande a satisfação e a alegria. De quem recebeu mas também de quem deu. Via-se no modo de contar. Fiquei satisfeito por alguém ter aproveitado a dica e tê-la posto em prática. E mais ainda satisfeito por a pessoa ter partilhado.

Boa continuação do mês de Maio. Boa continuação do bem fazer…

Vinde, ó Santo Espírito,
vinde, amor ardente,
acendei na terra
vossa luz fulgente.

Vinde, pai dos pobres:
na dor e aflições,
vinde encher de gozo
nossos corações.

Benfeitor supremo
em todo o momento,
habitando em nós
sois o nosso alento.

Descanso na luta
e na paz encanto,
no calor sois brisa,
conforto no pranto.

Luz de santidade,
que no céu ardeis,
abrasai as almas
dos vossos fiéis.

Sem a vossa força
e favor clemente,
nada há no homem
que seja inocente.

Lavai nossas manchas,
a aridez regai,
sarai os enfermos
e a todos salvai.

Abrandai durezas
para os caminhantes,
animai os tristes,
guiai os errantes.

Vossos sete dons
concedei à alma
do que em vós confia:
virtude na vida,
amparo na morte,
no céu alegria. Amen.