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14.12.2014
Domingo III Advento  -  Ano B

3º Domingo do Advento: Domingo da Alegria

«Sinto que a nossa alegria é maior porque brota de uma fonte que nos ultrapassa, não vem de nós, não resulta do nosso empenho e dos nossos esforços, que devemos fazer, mas esta alegria vem da entrega comum à fidelidade de Deus.(...) É uma paz e uma alegria que o mundo não pode dar». (Papa Francisco)

«No meio de nós está Alguém que não conheceis»

A palavra de João Baptista conserva toda a sua actualidade: no meio de nós está Jesus Cristo, mas nós não O reconhecemos. Vemos talvez n′Ele o herói dum messianismo temporal, o pregador duma fraternidade e duma felicidade puramente humanas, o taumaturgo extraordinário. Mas o segredo da Sua fidelidade ao Pai, até à morte, escapa-nos.
Descobrir Cristo com o olhar lúcido da fé e mostrá-l′O aos outros - eis a boa notícia, que nos dá a alegria verdadeira.

 Gaudete: alegrai-vos 

Não é fácil encontrar, nesta altura, uma nesga de sol. Os dias parecem não amanhecer. A noite prolonga-se pelas horas adiante. Com o tempo, a alma parece escurecer. O tempo está triste e a alma também não parece estar alegre. Será de todo impossível semear as raízes da alegria no nosso interior? Será impossível permanecer alegre quando as circunstâncias são desfavoráveis? Não será possível viabilizar a alegria no meio da adversidade? Já Lacordaire tinha notado que a alegria é sobretudo uma «questão de luz interior». Quem acende essa luz é Deus. E Deus acende-a dentro de nós. Daí a tristeza contínua de quem não tem Deus. 

 

A alegria só é resistente quando vem de Deus 

 

No meio do Advento, este é o chamado «Domingo mediano», mais conhecido, porém, como «Domingo da Alegria». Trata-se do Domingo «Gaudete», fórmula verbal latina que significa «alegrai-vos».

 

É a ressonância de um convite feito por S. Paulo na Carta aos Filipenses: «Alegrai-vos sempre no Senhor. Novamente vos digo: “alegrai-vos”»(Fil 4, 4). Ou seja, o que nos dá alegria não há-de ser procurado em circunstâncias exteriores. A fonte da alegria, afinal, não está fora, mas dentro de nós. A fonte da nossa alegria é Deus e Deus está dentro de nós.

 

Haja o que houver, nada pode roubar esta alegria que nos foi dada. É claro que não somos — nem devemos ser — insensíveis. A alegria oferecida por Deus não é alienante, mas é resistente. A alegria com que Deus nos presenteia acompanha-nos sempre: até na adversidade. Diria: sobretudo na adversidade. 

 

No Sermão da Montanha, mesmo a finalizar o elenco das Bem-Aventuranças, Jesus dirige um apelo aos discípulos e a todos os que O ouvem: «Alegrai-vos e exultai pois é grande nos céus a vossa recompensa»(Mt 5, 12). E Ele já tinha referido que esta alegria vem na sequência da perseguição, da injúria e de todo o sofrimento (cf. Mt 5, 10-11). Portanto, não é a perseguição, a injúria nem qualquer espécie de sofrimento que nos hão-de impedir de desfrutar da maior alegria.

 

 A alegria do Evangelho e o Evangelho da alegria

Quem tem Deus, ainda que nada mais tenha, já tem tudo. Já Isaías, no Antigo Testamento, se faz eco desta convicção ao dizer: «Exulto de alegria no Senhor»(Is 61, 10). É em Deus — e não no dinheiro ou no poder — que está a nossa alegria. Daí que S. Paulo insista: «Vivei sempre na alegria» (1Tes 5, 16), ligando a alegria à oração: «Orai sem cessar» (1Tes 5, 16). Foi esta a alegria que Maria experimentou, apesar das contrariedades por que passou. O Salmo Responsorial faz-se eco do cântico do «Magnificat», em que Maria «exulta de alegria em Deus, Seu [e nosso] Salvador» (Lc 1, 46). Maria está alegre porque, como bem observou S. João da Cruz, está apaixonada por Deus e «todos os apaixonados cantam».

Não espanta que Sophia de Mello Breyner tenha considerado o «Magnificat» como «o mais belo poema que existe», basicamente porque «anuncia» um mundo novo. Recorde-se que foi este cântico que desencadeou a conversão de Paul Claudel. Ao entrar na Notre-Dame, quando o «Magnificat» era entoado, o seu coração comoveu-se «como nunca», confessando: «Acreditei por dentro e com todas as forças». Nele acendeu-se, então, «uma convicção tão forte e uma segurança tão indescritível, que fez desaparecer todos os resquícios das anteriores dúvidas». 

 

Neste Domingo da Alegria, até a cor litúrgica é diferente. Esta cor-de-rosa, em substituição do roxo, revela precisamente a alegria pela vinda do Salvador à nossa vida. Foi para vincar esta alegria que, em 1975, o Papa Paulo VI escreveu a exortação apostólica «Gaudete in Domino». E, em 2013, o Papa Francisco também nos brindou com uma exortação apostólica sobre a alegria.

 

Chamou-lhe «A alegria do Evangelho», como que a convidar-nos para que nos reaproximemos do Evangelho da alegria: «A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus». Neste sentido, prossegue o Sumo Pontífice, «os cristãos têm o dever de anunciar o Evangelho não como quem impõe uma nova obrigação, mas sim como quem partilha uma alegria».

 

 João Baptista: profundamente alegre porque intrinsecamente sério 

 

A alegria pode não vir necessariamente pelo riso. A alegria até pode vir profusamente regada em lágrimas. Jesus considerou felizes os que choram (cf. Mt 5, 4). E não guardamos nós memória de tantas lágrimas de alegria? A maior alegria está na seriedade. Não estamos longe da alegria quando estamos perto da seriedade. A alegria é mesmo uma coisa muito séria. E não será a seriedade a coisa mais alegre?

 

Paul Claudel afirmou que «onde há mais alegria, há mais verdade». A seriedade é, sem dúvida, alegre. A seriedade é, definitivamente, a coisa mais alegre deste mundo. E, com o nosso Almada Negreiros, acrescentaria que «a alegria é a coisa mais séria desta vida». O sustento da alegria encontra-se num coração puro, numa alma transparente e numa vida limpa.

 

É neste contexto que podemos olhar para João Baptista como um modelo de alegria. À partida, ouvindo o que ele diz e reparando no que ele faz, seríamos tentados a deduzir que se trata de um homem sisudo, circunspecto, às vezes um pouco ríspido até. Mas essa será sempre uma visão superficial e uma apreciação injusta.

 

João Baptista é profundamente alegre porque é intrinsecamente sério. A sua seriedade é o sustento da sua alegria. Homem corajoso, nunca recuou perante os obstáculos nem vacilou diante das ameaças. Era um homem liso e limpo: dizia as coisas próprias nos momentos certos. Foi sempre oportuno, ainda que as circunstâncias o fizessem parecer inoportuno. O que ele jamais quis ser foi oportunista. Nunca agiu em proveito próprio. Nunca pretendeu cavalgar ondas de popularidade, mesmo que tal lhe fosse fácil, já que tinha muitos seguidores. A sua palavra foi sempre cortante: «Eu não sou o Messias»(Jo 1, 20). João era a voz de quem «clama no deserto»(Jo 1, 23). Ele diz «voz» e não «palavra», porque a Palavra não é João; é Jesus.

 

Os mais belos ornamentos de Natal 

 

João estava ao serviço do Messias que havia de vir (cf. Jo 1, 27). E o importante, para João, é que o Messias cresça, mesmo que ele diminua (cf. Jo 3, 30). A sua humildade nasce da sua coragem. João é, todo ele, um programa: desde o seu nome até à sua vida. João significa «Deus faz graça» e não há dúvida de que ele se comportou sempre como um agraciado enviado de Deus, como diz o quarto Evangelho: «Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João»(Jo 1,6).

 

Faz sentido, pois, colocar esta grande figura no Domingo da alegria. Só há alegria quando há seriedade, quando há autenticidade, quando há verdade.

 

 Alegremo-nos, então, à maneira de João. E, com João, preparemos os caminhos para Jesus. Ele já está no meio de nós. Já respiramos a Sua presença. Já saboreamos a Sua paz. Vós, sobretudo os que sentis o coração dilacerado pela tristeza, tende a certeza de que uma enorme alegria habita em vós. Deixai que as lágrimas escorram pela vossa face. Mas nem as vossas lágrimas serão capazes de roubar a vossa alegria. Porquê? Porque Deus está dentro de vós.

 

Onde há mais alegria, há mais seriedade. Onde há mais seriedade, há mais alegria. A alegria não é a euforia de uma vida desafogada. A alegria brota da seriedade de uma vida limpa, ainda que sofrida. A alegria da seriedade e a seriedade da alegria são os mais belos ornamentos para o nosso contínuo Advento e para o nosso eterno Natal!

 

O drama dos refugiados na mensagem de advento da cáritas

A mensagem de Advento da Cáritas Internacional recorda o drama de milhões de refugiados que enfrentam a “confusa espiral do exílio”. O presidente da Cáritas, D. Oscar Maradiaga, comparou a situação dos refugiados com a vivida pela Sagrada Família há dois mil anos, frisando que a Cáritas continuará a ajudar todas as “sagradas famílias” que perderam tudo para a guerra e violência.

 

Com esse objectivo, a Cáritas organizou a campanha “Uma só família humana, alimentos para todos” para tentar chegar às famílias mais necessitadas.

Vaticano apresenta orientações para sínodo de 2015

 

O Vaticano apresentou no dia 9 de Dezembro o documento preparatório para o Sínodo de 2015. Papa volta a pedir opinião aos católicos sobre os desafios que a família enfrenta. O texto é composto pelo relatório final da assembleia geral extraordinária do sínodo que decorreu em Outubro e acompanhado por um questionário com quarenta e seis perguntas.

O documento foi enviado às Conferências Episcopais, aos responsáveis dos Institutos Religiosos e aos organismos da Cúria Romana. Os contributos serão utilizados para o Instrumentum Laboris do Sínodo que decorrerá de 4 a 25 de Outubro de 2015.