01/02.11.2014 Domingo XXXI TEMPO COMUM Ano A Solenidade de Todos os Santos Dia dos Fiéis Defuntos «Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa» «Os Santos, tendo atingido pela multiforme graça de Deus a perfeição e alcançado a salvação eterna, cantam hoje a Deus no Céu, o louvor perfeito e intercedem por nós. A Igreja proclama o mistério pascal, realizado na paixão e glorificação deles com Cristo, propõe aos fiéis os seus exemplos, que conduzem os homens ao Pai por Cristo; e implora, pelos seus méritos, as bênçãos de Deus. Segundo a sua tradição, a Igreja venera os Santos e as suas relíquias autênticas, bem como as suas imagens. É que as festas dos Santos proclamam as grandes obras de Cristo nos Seus servos e oferecem aos fiéis os bons exemplos a imitar» (Constituição Litúrgica, n.º 104 e 111). Esperança Cristã: Transfiguração da Vida e da Morte De todos os episódios da vida de Jesus Cristo, a ressurreição é a pedra angular da religião cristã. É a ressurreição que permite aos cristãos acreditarem que Jesus era mais que apenas um agitador anti-sistema, um reformador religioso, um profeta desprezado. São Paulo resume bem a posição cristã quando afirma que “se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé”, na carta que escreveu aos coríntios, uma das primeiras comunidades da Igreja nascente. Desde o princípio da Igreja, ou desde o princípio desse facto, da morte e ressurreição de Jesus, têm surgido tentativas de fazer um Jesus demasiadamente humano ou demasiadamente divino, de excluir ou de transformar a ressurreição em algo mais simbólico ou aparente. Contudo, essa visão é incompatível com o Cristianismo: É por ser uma realidade factual que brota o sentido pleno da existência humana e da própria esperança. A ressurreição é crucial para a história da salvação. A esperança dos cristãos está em saber que a morte foi vencida: Jesus está agora num estádio definitivo que nos é prometido a todos, de vida plena, independentemente de tempos e de espaços. Isto é para todos nós um grande motivo de esperança. O motivo de esperança é exactamente este, não há morte que nos separe e a própria morte pode ser cheia de vida. Por isso celebramos este dia, por isso celebramos a Solenidade de Todos os Santos. A Morte e a Ressurreição de Jesus são o coração da nossa esperança. É justamente a Ressurreição que nos abre à esperança maior, porque abre a nossa vida e a vida do mundo ao futuro eterno de Deus, à felicidade plena, à certeza de que o mal, o pecado, a morte podem ser vencidos. E isto leva a viver com mais confiança as realidades quotidianas, enfrentá-las com coragem e com compromisso. A Ressurreição de Cristo é a nossa força! “Creio na ressurreição da carne” – afirmamos nós no Credo. Trata-se de uma verdade não simples e longe de ser óbvia, porque, vivendo imersos neste mundo, não é fácil compreender as realidades futuras. Mas o Evangelho nos ilumina: a nossa ressurreição está estreitamente ligada à ressurreição de Jesus; o facto de que Ele ressuscitou é a prova de que existe a ressurreição dos mortos. Só podemos entrar no Céu graças ao sangue do Cordeiro, graças ao sangue de Cristo. Foi precisamente o sangue de Cristo que nos justificou, que nos abriu as portas do Céu. E se hoje recordamos estes nossos irmãos e irmãs que nos precederam na vida e estão no Céu, é porque eles foram lavados pelo sangue de Cristo. Esta é a nossa espe-rança: a esperança do sangue de Cristo! Uma esperança que não desengana, se caminharmos na vida com o Se-nhor. Ele nunca desilude! Palavras do Papa Francisco a propósito da festa de Hoje: «Os primeiros cristãos representavam a esperança como uma âncora, como se a vida fosse a âncora lançada à margem do Céu e todos nós caminhássemos rumo àquela margem, agarrados à corda da âncora. Esta é uma bonita imagem da esperança: ter o coração ancorado onde estão os nossos antepassados, onde se encontram os Santos, onde está Jesus, onde está Deus. Esta é a esperança que não desilude; hoje e amanhã são dias de esperança. A esperança é um pouco como o fermento, que faz dilatar a alma; existem momentos difíceis na vida, mas com a esperança a alma vai em frente e contempla aquilo que nos espera. Hoje é um dia de esperança. Os nossos irmãos e irmãs encontram-se na presença de Deus e também nós estaremos ali, por pura graça do Senhor, se percorrermos o caminho de Jesus. O Apóstolo João conclui: «Todo aquele que n’Ele tem esta esperança torna-se puro, como Ele é puro» (v. 3). Também a esperança nos purifica e alivia; esta purificação na esperança em Jesus Cristo leva-nos a caminhar depressa, com prontidão. Nesta antecipação do crepúsculo hodierno, cada um de nós pode pensar no ocaso da sua própria vida: «Como será o meu ocaso?». Todos nós teremos um declínio, todos! Encaro-o com esperança? Com aquela alegria de ser acolhido pelo Senhor? Trata-se de um pensamento cristão que nos incute paz. Hoje é um dia de alegria, mas de um júbilo calmo, tranquilo, da alegria da paz. Pensemos no crepúsculo de numerosos irmãos e irmãs que nos precederam, meditemos sobre o nosso ocaso, quando ele chegar. Ponderemos no nosso coração, e interroguemo-nos: «Onde está ancorado o meu coração?». Se não estiver bem ancorado, ancoremo-lo ali, naquela margem, conscientes de que a esperança nunca decepciona, porque o Senhor Jesus nunca desilude».
“Católica”: esta definição da Igreja, que pertence à profissão de fé desde os tempos mais antigos, carrega consigo alguma coisa de Pentecostes. Recorda-nos que a Igreja de Jesus Cristo nunca visou um só povo ou uma só cultura, mas, desde o início, era destinada à humanidade… Bento XVI
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