24.05.2015 Domingo de Pentecostes - Ano BVem, Espírito Santo! Vem, Espírito de Amor!
Grande França! Assim vais longe!Vamos copiar o ‘Estado Islâmico’?A laicidade não é uma invenção do iluminismo, mas cristã, mas o laicismo é uma herança do terror revolucionário francês, que teve seguimento nos regimes totalitários do século XX. Agora é a sério: o Cristo-Rei é inadmissível. Não o próprio, entenda-se, que tem certamente lugar no reino dos Céus, embora não nesta república nada dada a realezas, mas a sua gigantesca estátua, na margem sul do rio Tejo. Porquê? Porque a sua dimensão e a sua forma em cruz são um atentado à laicidade nacional. É o que resulta da decisão do tribunal administrativo de Rennes, que ordenou a remoção de um monumento, de oito metros de altura, a São João Paulo II, em Ploërmel, no departamento de Morbihan, na Bretanha francesa, por entender que o mesmo infringe as normas vigentes sobre a laicidade do Estado. A estátua do santo Papa polaco, que decerto foi menos perseguido pelos comunistas da sua terra natal do que o é agora na pátria da revolução francesa, está enquadrada por um monumental arco de pedra, por sua vez encimado por uma enorme cruz que, pela sua colocação e as suas dimensões, têm, segundo o veredicto judicial, «características ofensivas» do princípio constitucional da laicidade. Patrick Le Diffon, autarca de Ploërmel, para retirar ao caso qualquer conotação anticlerical ou persecutória dos cristãos, afirmou que o monumento fora erigido ao homem de Estado e não ao pontífice. Esfarrapada desculpa que não colhe, até porque Karol Wojtyla está representado com os paramentos litúrgicos, ou seja, como Papa e não como estadista. Se uma cruz, um arco e um santo paramentado são um insulto à laicidade, não o serão também a fachada de Notre Dame e as torres sineiras de todas as igrejas francesas, também elas de grandes proporções e, em geral, rematadas por um crucifixo? E a estrela de David das sinagogas judias, ou a meia-lua das mesquitas muçulmanas, não serão também agressivas para os incrédulos? E as pinturas e esculturas de temática religiosa do Louvre e outros museus, por exemplo, não serão também um ataque a quem não crê? Não seria então prudente que, para além da remoção da estátua de São João Paulo II, se destruíssem também todos esses sinais da cultura religiosa da filha primogénita da Igreja? Esta fúria iconoclasta não é nova, nem exclusiva do laicismo francês. É velha como o fanatismo, religioso ou ateu, de todos os tempos e eras. Também os talibãs e os guerrilheiros do dito Estado Islâmico pensam e agem do mesmo modo: por este motivo já destruíram inúmeros monumentos históricos e tesouros religiosos de incalculável valor. Pelo contrário, a Igreja católica, embora também tenha tido, mais por excepção do que por regra, atitudes desta natureza, colocou no centro da emblemática praça de São Pedro, em Roma, um obelisco egípcio, como pedestal da cruz de Cristo. Também muitos papas, autênticos mecenas da cultura, coleccionaram obras de arte pagã, que ainda hoje se podem contemplar nos museus vaticanos. O laicismo está para a laicidade como o fundamentalismo está para as religiões: em ambos os casos mais não são do que perversões autoritárias e tirânicas, sob a aparência, respectivamente, do respeito pela liberdade e, até, de Deus. A laicidade não é uma invenção da revolução francesa, nem do iluminismo, mas cristã, porque é no Evangelho que se declara, peremptoriamente, a separação entre o poder temporal e o espiritual: dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus (Mt 22,21). O próprio Cristo, ao contrário de outros lideres religiosos, rejeitou sempre a tentação do poder e recusou dar, mais de uma vez, qualquer conotação política à sua realeza exclusivamente sobrenatural. O laicismo sim, é uma herança do terror revolucionário francês, que teve seguimento nos regimes totalitários nazi e comunista, ambos também furiosamente contrários à liberdade religiosa. Como disse recentemente o Papa Francisco, “Na óptica cristã, razão e fé, religião e sociedade são chamadas a iluminarem-se reciprocamente, apoiando-se uma à outra e, se necessário, purificando-se mutuamente dos extremismos ideológicos em que podem cair. A sociedade europeia inteira só pode beneficiar de uma revitalizada conexão entre os dois âmbitos, tanto para enfrentar um fundamentalismo religioso que é inimigo sobretudo de Deus, como para obstar a uma razão ´reduzida que não honra o homem” (Discurso ao Conselho da Europa, 25-11-2014). Do fanatismo laicista e do fundamentalismo religioso, livrai-nos Senhor! E viva Cristo-Rei que, da margem sul do Tejo, abraça Lisboa e esta terra de Santa Maria, enquanto que, do outro lado do Atlântico, sorri para o Rio de Janeiro do alto do Corcovado e abençoa a terra da Vera Cruz! P. Gonçalo Portocarrero de Almada Observador 16.05.15 Acordo ortográfico obrigatório em Portugal No passado 13 de Maio cumpriram-se os seis anos do período de transição para a aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Desde esse dia passou a ser obrigatório. O acordo foi assinado em Lisboa em 1990, resultando o texto da discussão então realizada em Portugal, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. O Acordo Ortográfico foi ratificado pela maioria dos países lusófonos, à excepção de Angola e Moçambique. Em Angola ainda não foi ratificado por qualquer órgão político, enquanto em Moçambique já foi aprovado em Conselho de Ministros, faltando ainda a ratificação pelo parlamento. No Brasil, país que, tal como Portugal, estabeleceu uma moratória para a aplicação plena, o Acordo Ortográfico entra em prática em Janeiro de 2016. Note-se que os acordos ortográficos incidem apenas sobre a ortografia, não sobre a pronúncia. Existem sanções para o não cumprimento? A capacidade de escrever de acordo com a ortografia oficial é uma ferramenta essencial em certas profissões, bem como no sistema educativo. Poderâo ser previstas sanções na regulamentação de profissões em que o uso da ortografia oficial seja obrigatório e os alunos que não escrevam dessa forma cometerão erros ortográficos pelos quais poderão ser penalizados na avaliação. Fora destes casos, não existem consequências jurídicas directas por não escrever de acordo com a norma legal. Conversor Lince como ferramentas de suporte à nova grafia: www.portaldalinguaportuguesa.org. “É bom para vós que eu parta porque, se não partir, o Paráclito não virá a vós” Quem és tu, doce luz que me enches e iluminas as trevas do meu coração?… És o Mestre da obra, o construtor da eterna catedral que se eleva desde a terra ao Céu? Tu dás vida às suas colunas, que se erguem, altas e rectas, sólidas e imutáveis (Ap 3,12). Marcadas pelo sinal do Nome divino e eterno, lançam-se para a luz e suportam a cúpula que termina e coroa a santa catedral, a tua obra que abraça o universo inteiro: o Espírito Santo, Mão criadora de Deus!… És tu o doce cântico do amor e do sagrado respeito que ressoa sem fim à volta do trono da Trindade santa (Ap 4,8), sinfonia em que ecoa a nota pura dada por cada criatura? O som harmonioso, o acorde unânime dos membros e da Cabeça (Ef 4,15), no qual cada um, no auge da alegria, descobre o sentido misterioso do seu ser e o deixa brotar em gritos de júbilo, livre e paricipante no seu próprio jorrar: Espírito Santo eterno júbilo! Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) (1891-1942) Carmelita, Mátir, Co-Padroeira da Europa «Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós: Recebei o Espírito Santo»Com a Páscoa, inicia-se a nova Criação. E, como na primeira, também agora o Espírito Santo está presente, a insuflar aos homens, mortos pelo pecado, a vida nova do Ressuscitado. Jorrando do Corpo glorificado de Cristo, em que se mantêm as cicatrizes da Paixão, o Sopro purificador e recriador do mesmo Deus, comunica-se aos Apóstolos. Apodera-se deles, a fim de que possam prolongar a obra da nova Criação, e assim a humanidade, reconciliada com Deus, conserve sempre a paz alcançada em Jesus Cristo.
|