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07.12.2014
Domingo II Advento  -  Ano B  

O Senhor dará ainda o que é bom
e nossa terra produzirá os seus frutos.
A justiça caminhará à sua frente
e a paz seguirá os seus passos. 

Apareceu João Baptista no deserto
a proclamar um baptismo de penitência
para remissão dos pecados.

Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu,
diante do qual eu não sou digno de me inclinar
para desatar as correias das suas sandálias. 

Não parei um instante

Desde que aqui cheguei, não parei um instante: visitando com frequência as aldeias, lavando na água sagrada os meninos não batizados. Assim, purifiquei grandíssimo número de crianças que, como se diz, não sabem absolutamente distinguir entre a direita e a esquerda. Estas crianças não me permitiram recitar ofício divino, nem comer, nem dormir, enquanto não lhes ensinasse alguma oração; foi assim que comecei a perceber que delas é o reino dos céus. 

Das Cartas a Santo Inácio, de São Francisco Xavier, presbítero 

Ajuda à Igreja que Sofre: a nossa campanha de Advento 

Fundada em 1947 pelo Padre Werenfried van Straaten, inspirado na mensagem de Fátima, a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre é uma organização dependente da Santa Sé, tendo por objectivo apoiar projectos de cunho pastoral em países onde a Igreja Católica está em dificuldades.

No início, o trabalho da AIS consistia apenas em auxiliar os refugiados da Alemanha de Leste que fugiam da ocupação comunista, mas rapidamente se espalhou pelos campos de refugiados da Europa e da Ásia, pelas Repúblicas Populares comunistas, pela América Latina e pela África.

Os desafios são múltiplos: totalitarismo de esquerda ou de direita, fanatismo religioso, multiplicação de seitas, materialismo, falta de sacerdotes, etc.

A Fundação esforça-se por responder aos apelos numerosos e urgentes que lhe chegam a todo o momento.

Missão: É missão da Fundação AIS procurar que a Igreja em geral esteja informada sobre a Igreja perseguida e que esta última tenha condições para realizar a sua missão de evangelização.

Nesse sentido, procuramos proporcionar a divulgação de informação cristã, ajudando projectos nas seguintes áreas:

- apostolado através dos meios de comunicação (estações de rádio e televisão, agências de notícias, programas áudio e vídeo, espaços de divulgação na Internet, etc.);

- impressão e distribuição de literatura religiosa diversa (Bíblias, livros de oração, textos litúrgicos, jornais religiosos, catecismos e Bíblias para Crianças);

- publicação e divulgação de relatórios sobre situações concretas da Igreja perseguida.

Todos os dias, à porta do centro de saúde, um edifício que mais parece um barracão, formam-se filas de pessoas. São homens e mulheres, crianças e idosos. São todos refugiados oriundos da Síria e do Iraque. Todos as procuram. Precisam de assistência médica, precisam de documentos… de comida. Precisam de tudo. Às vezes, precisam apenas de desabafar. Chegam ali e desabam em choro, em lágrimas que traduzem a tragédia em que as suas vidas se transformaram.

O centro de saúde, apoiado pelos benfeitores e amigos da Fundação AIS, é, todos os dias, o retrato fiel do drama em que vivem os refugiados. Às vezes, vão ali apenas para receberem um pequeno saco com comida ou medicamentos. Ou roupa. São pessoas que tinham uma vida normal, que desabou de um dia para o outro.

A Irmã Hanan, assim como a Irmã Georgette, são verdadeiras heroínas. Juntas, conseguem dar resposta todos os dias a dezenas de pessoas destroçadas por uma guerra que lhes foi bater à porta, pela violência terrorista dos jihadistas do Estado Islâmico. É um trabalho desgastante. Como lidar com pessoas que ainda têm feridas abertas no seu coração, que não conseguem superar a dor da perda, que não conseguem esquecer a violência por que passaram?

A Irmã Hanan diz que vai buscar as forças que não tem à certeza de que há muita gente, no mundo, como os benfeitores e amigos portugueses da Fundação AIS, que rezam por ela, que rezam pelo trabalho destas Irmãs do Bom Pastor e que rezam por estes cristãos refugiados do Iraque e da Síria.

Apoios:A Fundação AIS apoia inúmeras comunidades de religiosas.

No Norte de África os cristãos estão perante o agressivo fundamentalismo Islâmico; na África Central estão envolvidos em antigas rivalidades tribais; no Oeste as multinacionais incentivam os negociantes a provocar conflitos com outras multinacionais a fim de conseguirem a matéria-prima e os direitos de petróleo. Entretanto, no sul do continente as feridas do racismo ainda não estão curadas.

A Ajuda à Igreja que Sofre está envolvida na Ásia desde os anos 60. A ajuda começou com uma viagem do Padre Werenfried através dos acampamentos de refugiados deste vasto continente. Durante a viagem, o Padre encontrou-se com a Madre Teresa, entre outras pessoas, no Abrigo de Doentes que tinha fundado, a «casa de descanso» em Calcutá. Depois de regressar, o Padre Werenfried começou a organizar a ajuda aos refugiados e outras vítimas de guerras civis e do comunismo. Hoje há poucos refugiados na Ásia, mas os católicos desta região continuam a necessitar do nosso auxilio, alguns por causa da perseguição, na China, no Paquistão ou em Timor Leste, outros nas vastas regiões pacíficas, onde as paróquias frequentemente estão espalhadas sobre as distantes ilhas e são acessíveis somente por avião ou por barco. É nestas regiões que é particularmente importante a equipa do ministério pastoral ter meios eficazes de transporte.

A América do Sul tem visto as vocações sacerdotais crescerem em flecha. Contudo, faltam recursos para financiar não apenas a construção de seminários, mas também a própria formação dos seminaristas. É importante que os novos sacerdotes disponham de uma sólida formação e de todos os instrumentos para lidarem com os desafios que se lhes colocam. O apoio da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre tem sido fundamental para que muitas vocações não se percam por falta de meios.

Informar: Com notícias, relatórios, entrevistas, etc. a AIS procura dar voz aos que de outro modo são invisíveis, são ignorados, esquecidos. Um trabalho muito difícil pois muitas vezes encontra obstáculos de toda a ordem pois os próprios agressores e perseguidores fazem de tudo, com todos os meios, para esconder as suas próprias barbaridades. É, muitas vezes, pelo testemunho dramático em primeira pessoa que tais notícias conseguem sair e chegar ao domínio público. De outro modo, o que realmente acontece muitas e muitas vezes, permanecem no silêncio, na ignorância do grande público. 

Oração

A oração é algo muito enriquecedor que qualquer um de nós pode empreender para uma ajuda muito concreta a esta Igreja que Sofre. Vejam só esta oração, feita por um cristão sírio. Que bela. Somos capazes de rezar assim pelos nossos inimigos?

Senhor, 

Quando voItares na Tua glória,
não Te recordes apenas
dos homens de boa vontade.
Lembra-te também dos homens de má vontade.

Mas não te recordes da sua crueldade,
dos seus abusos e violências.
Recorda-te dos frutos que nós colhemos
por causa daquilo que eles fizeram.

Recorda-Te da paciência de uns, 
da coragem de outros, da fraternidade,
da humildade, da grandeza de alma,
da fidelidade que eles despertaram em nós.

Faz, Senhor, com que os frutos
que nós colhemos,
sejam um dia a sua redenção.

Áme

Adoptar um sacerdote que trabalha em região de risco e comprometer-se a rezar por ele todos os dias é outra das formas de estar em comunhão com a Igreja que Sofre.

«Rezemos com uma confiança inabalável e com um coração que abrace quer os amigos, quer os inimigos no amor. Então, o Senhor escutará a nossa voz e a Sua misericórdia não terá limites».

Padre Werenfried van Straaten