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30.03.2014
IV Domingo da Quaresma   -   Ano A

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A Quaresma, marcada pela conversão e pela penitência, é caminho para a alegria da Ressurreição do Senhor.

Por isso, na liturgia deste domingo (como que no meio da Quaresma) já existe um sentimento de alegria festiva, expressa na antífona de entrada: “Alegra-te, Jerusalém; rejubilai, todos os seus amigos. Exultai de alegria…”, dando o nome a este domingo: ‘Dominica Laetare’. A oração colecta diz: “concedei ao povo cristão fé viva e espírito generoso, a fim de caminhar alegremente para as próximas solenidades pascais”.

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“Irmãos…agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz”. Com esta frase, a segunda leitura expressa esta experiência vivida pela primeira comunidade cristã. Viver como filhos da luz significa duas coisas. Por um lado, “o fruto da luz é a bondade, a justiça e a verdade”, ou seja, ter os olhos da fé abertos à mensagem de Jesus Cristo e viver a vida com amor, com desprendimento e com alegria. Por outro lado, significa espalhar (transfigurar) a luz do evangelho e iluminar todos os que nos rodeiam com a nossa maneira de viver e de falar.

 

 

V i a - S a c r a  d a  P a i x ã o  d o  S e n h o r

A Via-Sacra é uma antiga devoção cristã que surge na idade média; nela se convida à contemplação dos momentos mais importantes da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo.

Desde então, a comunidade cristã encontrou nela um meio privilegiado para experimentar a proximidade sensível e espiritual ao Ministério do Deus Crucificado por amor à humanidade.

São 15 estações, que nos ajudam a percorrer um caminho espiritual e a compreender melhor a pessoa de Jesus e o amor que teve por nós ao ponto de se deixar matar, sofrendo muito, para que todos nós aprendêssemos o que é verdadeiramente amar.

A celebração da Via Sacra pode ser feita dentro de uma Igreja mas também em qualquer outro lugar, rua, montanha, praia, ... os lugares onde se pára, podem estar afastados de metros ou quilómetros. O mais importante é que se crie um ambiente de interiorização e evite qualquer distracção durante a realização da via sacra.

Entre as estações pode rezar-se o Pai Nosso ou até uma dezena ou terço no caso de uma grande peregrinação a pé. Também se podem intercalar cânticos em qualquer momento da via sacra.

Todas as estações têm uma estrutura esquemática semelhante, o que facilita a compreensão da celebração e permite adicionar cânticos ou outras orações.

Quando feita ao ar livre, à frente segue uma pessoa com a cruz, e duas pessoas cada uma com uma vela acesa ao lado da cruz, seguidos da pessoa que preside e depois por todas as outras pessoas.

Quando se lê a frase no início da estação “Nós vos adoramos e bendizemos ó Jesus”, ajoelham-se todos e levantam-se após responderem “Que remistes o mundo pela vossa santa cruz”.

Na estação em que se medita a morte de Jesus na cruz, ajoelham-se todos no fim da leitura, por uns breves instantes; o que preside deve dar o exemplo.

Via Sacra do Bom Jesus

A Via Sacra do Bom Jesus localiza-se no Santuário do Bom Jesus do Monte, na freguesia de Tenões, em Braga. É constituída por 17 capelas e a Igreja do Bom Jesus.

História: A iniciativa da construção da Via Sacra foi do arcebispo de Braga, D. Rodrigo de Moura Teles.

Originalmente todas as capelas dos Passos da Paixão eram uniformes na sua arquitectura: um edifício cúbico com uma porta, encimado por uma pirâmide quadrada com uma esfera no vértice. Por cima da porta encontrava-se o brasão de armas do arcebispo.

Das capelas originais apenas restam as duas primeiras. As demais foram reconstruídas segundo o modelo “guaritas de sentinela”, com planta em forma de octógono.

As primeiras 10 capelas localizam-se ao longo dos Escadórios do Bom Jesus.

Cenáculo: Aqui está representada, em imagens de tamanho natural, a última ceia. Na frente da capela encontra-se a inscrição: “Coena facta... accepit Jesus panen... et ait... commedite: Hoc est corpus meum. Joan. 13, 2. Math. 26, 26” (“Acabada a ceia... tomou Jesus o pão... e diz comei: este é o meu corpo.”)

Horto: Aqui está representado o episódio do Monte das Oliveiras, com a inscrição: “Factus in agonia prolixius orabat. Luc. 22, 43” (“Posto em agonia, orava com mais fervor.”)

Prisão: Aqui está representada a traição de Judas, e a inscrição reza: “Manus injecerunt in Jesum, et tenuerunt eum. Math. 26, 50” (“Lançaram as mãos a Jesus e o prenderam.”)

Trevas: A capela tem uma só figura de Jesus Cristo, sentado numa pedra, com os pulsos presos e os olhos vendados, da autoria de Evangelista Vieira. A inscrição reza: “Tunc expuerunt in facien ejus... alh auten palmas in faciem ejus dederunt. Math. 26, 67.” (“Então uns lhe cuspiram no rosto... e outros lhe deram bofetadas.”)

Açoutes: É considerada uma obra incompleta e de má qualidade de autoria de Fonseca Lapa, escultor de Vila Nova de Gaia. A figura representa Cristo atado a uma coluna. A inscrição diz: “Apprehendit Pilatus Jesum, et flagelavit. Joan. 19, 1” (“Pilatos prendeu Jesus, e o fez açoutar.”)

Coroação: O quadro é formado por um conjunto de três figuras, obra do escultor Evangelista Vieira. A inscrição reza: “Exivit Jesus portans coronam spineam. Joan. 19, 5.” (“Jesus saiu trazendo a coroa de espinhos.”)

Pretório: O quadro escultórico representa o pretório de Pilatos, quando apresenta Jesus: “Ecce Homo”. As duas esculturas, em tamanho natural, são de Evangelista Vieira. Por cima da porta a inscrição: “Exivit... Pilatus foras, et dicit... ecce homo. Joan. 19, 4, 5.” (“Saiu... Pilatos fora e disse... eis o homem.”)

Caminho do calvário: Está representado Cristo levando aos ombros a cruz, arrastado por um soldado romano e seguido por Cireneu e várias mulheres. A inscrição reza: “Bajulans sibi crucem exivit in... calvariae locum. Joan. 19, 5.” (“Levando a cruz às costas, saiu para... o lugar do calvário.”)

Queda: O quadro escultórico mostra o momento em que Jesus cai sob o peso da cruz e Cireneu ampara-lhe o madeiro. Ambas as esculturas são de Evangelista Vieira. Na porta a incrição: “Et venerunt in locum qui dicitur golgotha. Math. 27, 33.” (“E vieram a um lugar chamado Gólgota.”)

Cruxificação: As imagens desta capela são as originais do século XVIII. A inscrição reza: “Erat autem hora tertia, et crucifixerunt eum. Marc. 15, 25” (“Era a hora terça quando o crucificaram.”)

Terreiro de Moisés: No Terreiro de Moisés encontram-se duas capelas. A sul, a capela da Elevação e, a norte, a capela do Descimento, ambas com esculturas em madeira de Fonseca Lapa:

Elevação: O grupo representa Cristo pregado na cruz, a ser erguido sobre o calvário. Na portada a inscrição reza: “Et ego exaltatus fuero a terra, omnia traham ad me ipsum. Joan. 12, 32.” (“E quando eu for levantado da terra, todas as coisas atrairei a mim.”)

Descida: Aqui, a inscrição diz: “Deponentes eum de legno. Act. Apost. C. 13, v. 20.” (“Tirando-o do madeiro.”)

Últimas capelas: A via sacra prossegue, num novo lanço de escadas, que seguem no Parque do Bom Jesus.

Unção ou das Lágrimas: O conjunto escultórico representa a unção de Jesus antes de ser sepultado. Aqui se encontram Maria, Cléofas, Verónica, Maria Salomé, Maria Madalena, São João, quatro varões e um centurião romano.

Ressurreição: Representa a Ressurreição de Jesus enquanto os guardas dormem. A imagem é da autoria do escultor bracarense João Gambino.

Terreiro dos Evangelistas: A Via Sacra culmina no Terreiro dos Evangelistas, uma praça octagonal rodeada de árvores e adornada com fontes, estátuas, e onde se encontram as últimas três capelas, tendo ao centro um chafariz ornamental.

Aparição a Maria Madalena: Representa a aparição de Cristo a Maria Madalena, tendo sobre a porta a inscrição: “Apparuit primo Mariae Magdalenae. Marc. C. 16, 9.” (“Apareceu primeiro a Maria Madalena”)

Casa de Emaús: A capela da Casa de Emaús destaca-se por representar o interior de uma casa burguesa do século XVIII, vendo-se Cristo sentado à mesa. A inscrição reza: “Cognoverunt eum in fractione panis. Luc. 24, 35” (“Conheceram-no ao partir do pão.”)

Ascensão: Mais alta e mais espaçosa que as restantes, a última capela representa a ascensão de Jesus Cristo aos céus, numa nuvem cercada de anjos, no monte das Oliveiras. Trata-se de um numeroso grupo, em que a Virgem e os Apóstolos seguem a subida. A capela foi construída no século XVIII e, na cornija, a inscrição reza: “Assumptus est in coelum” (“Subiu ao Céu.”)

Na Igreja do Bom Jesus está representado Cristo crucificado.

O Portugal do início oficial da emigração para a Alemanha

Comemorando os 50 Anos do Acordo

No início dos anos 60, Portugal vivia dias cinzentos sob um regime que se recusava a qualquer reforma interna, que proibia a oposição e perseguia os dissidentes, que não tolerava a liberdade de expressão, que tinha lançado o país numa guerra colonial em 4 frentes, provocando assim uma sangria de recursos humanos e materiais, ao mesmo tempo que o país continuava mergulhado numa profunda estagnação, feita de pobreza, de uma economia de subsistência, de analfabetismo. A política do “orgulhosamente sós”, que era a de Salazar, não atraía, antes espantava, investimentos estrangeiros.

Sobretudo no Portugal rural e interior, de Trás os Montes ao Algarve, “reinava” um marasmo crónico, sem perspectivas de futuro, sem empregos, sem trabalho, sem perspectivas sobretudo para os jovens. Se a emigração para Lisboa nos anos 50 tinha proporcionado a muitos uma saída, ela manifestava-se insuficiente. A situação era extremamente complicada para os jovens que voltavam da “Guerra no Ultramar”. Que fazer agora? Voltar a pegar no arado e na enxada, eles que, saindo das aldeias para o serviço militar, tinham percebido que muito mais era possível?!

O governo de Salazar, para não “confessar” a miséria que se vivia em Portugal, tentava ignorar a todo o custo a emigração clandestina (“a salto”) para a França. Por isso acolheu de braços abertos os negociadores alemães, que propunham uma emigração controlada, “legal”, com “garantias”, sem exigir contrapostas políticas.

Mas nem só para o regime era um “bom” acordo. Para muitos portugueses e portuguesas, a emigração era uma verdadeira chance para a realização de projectos pessoais. Como já o tinha sido nos anos 20 para o Brasil, e nos anos 50 para os Estados Unidos, Venezuela e Canadá. Só que a Alemanha era bem mais perto, e, por isso, mais atraente. E sem os riscos nem incertezas da emigração clandestina. Os sonhos dos jovens que acabavam a tropa (e, por isso, já obtinham licença para emigrar, o passaporte era uma espécie de prenda!!) eram canalizados oficialmente para fora do país.

50. Aniversário do Acordo

A 17 de Março de 1964 é assinado o acordo de recrutamento de mão de obra portuguesa entre Portugal e a República Federal da Alemanha.

Com este acto a emigração Portuguesa para a Alemanha é reconhecida e promovida oficialmente. Isto não significa, no entanto, que não houvesse já trabalhadores portugueses neste país: em 1963, por exemplo, estavam aqui já a trabalhar, 2 284 portugueses.

A vinda de portugueses para Alemanha sofrerá, aliás como acontece com outros grupos, altos e baixos.

Nos anos de 83 e 84 o regresso de muitas famílias é acelerado pelos apoios financeiros dados aos que regressassem definitivamente, e ao mesmo tempo também pela possibilidade então ainda concebida de levantar os chamados “fundos”, correspondentes à parte pessoal de descontos para a reforma. Tal levou muitos a regressarem. A 30 de Setembro 1987 estavam oficialmente registados somente 79.200 portugueses.

No entanto, para estes, a tendência de fixação é notória. 61000 portugueses, isto é, 71,1% do total aqui residente, vivia, na altura desta estatística (30.09.1987), há já mais de 10 anos na Alemanha. Cerca de 34.000 viviam aqui até já há mais de 15 anos.

Portugueses na Alemanha: 1963: 2.284; 1974: 121.533: 1987: 79.200; 2007: 114.552; 2012: 120.560. (Fonte: Statistisches Bundesamt).

Grandes grupos: Em 1974 havia na Alemanha 121.533 portugueses/as vindos/as de: Lisboa: 12.121; Santo Tirso: 6.021; Guimarães: 3.605; Braga: 3.033; Leiria: 2.959; Famalicão: 2.870; Vila Pouca de Aguiar: 1.428; Odemira: 1.102; Beja: 1.021. (Fonte: J. Arroteia, A Emigração Portuguesa).