23.11.2014 Domingo XXXIV Tempo Comum - Ano A Jesus Cristo Rei do Universo ‘Vinde, bem ditos de meu Pai; recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome e destes-Me de comer; tive sede e destes-Me de beber; era peregrino e Me recolhestes; não tinha roupa e Me vestistes; estive doente e viestes visitar-Me; estava na prisão e fostes ver-Me’. CRISTO REI: Vinde, benditos, para o Reino que vos está preparado Na ábside de várias catedrais europeias dos séculos 11 e 12, apresenta-se, em toda sua beleza artística, a imagem em mosaico do “Cristo, Senhor de todas as coisas – Rei do universo”, o Cristo “Pantocrator”. Cristo é normalmente representado em atitude majestosa e severa, e ao mesmo tempo compassiva e acolhedora, de braços abertos para acolher o mundo inteiro, os olhos cheios de luz e compaixão, na mão esquerda o livro aberto da vida, e a mão direita abençoando, segundo o uso ortodoxo. A linguagem da beleza exprime com grande potência a intuição profunda da fé da Igreja, resumida, de modo simbólico, na carta de Paulo aos Colossenses: “Tudo foi criado por Ele e para Ele..... Ele é a cabeça da Igreja que é Seu corpo. Ele é o princípio, o primogénito dos mortos. Ele tem em tudo o primeiro lugar, pois n’Ele aprouve a Deus reconciliar consigo todas as coisas, tudo o que há nos céus e na terra, pelo sangue da Sua cruz” (Cl 1, 16-20).
“Por Cristo, com Cristo e em Cristo, a Vós, Deus Pai omnipotente na unidade do Espírito Santo, toda honra e toda a glória, agora e para sempre”, canta, ou proclama em voz alta o Presidente da celebração, na solene Doxologia final da Oração Eucarística. Em seguida, a assembleia dá o seu assentimento com o canto poderoso do “Amém!”. A imagem do Cristo Pantocrator das antigas igrejas e a doxologia solene da Oração eucarística exprimem o sentido mais profundo da liturgia deste Domingo “Cristo Rei do universo”, com o qual a Igreja conclui a celebração do mistério pascal de Cristo, que se foi desenvolvendo através de todo o ano litúrgico. De facto, este 34º Domingo é o último do ano litúrgico. De modo surpreendente, o seu horizonte espiritual coincide com o do primeiro Domingo de Advento, que é também o primeiro do novo ano litúrgico. Jesus Cristo, o Verbo encarnado, crucificado e ressuscitado, agora glorificado à direita do Pai, é a meta, o fim da história da nossa salvação e, ao mesmo tempo, é seu fundamento e início.
Um novo ciclo litúrgico inicia onde o outro termina, de um ano para o outro, num movimento em espiral ascendente sem cessar, na interação recíproca, até que o dinamismo transformador da Páscoa. O ano litúrgico, com a sua linguagem ritual e sacramental, manifesta e nos faz experimentar o dinamismo do Espírito que atua no seio escondido e fecundo da história, até, e na espera, da vinda gloriosa de Cristo. A espiritualidade que conjuga os dois pólos do ano litúrgico tem múltiplos aspectos que interagem entre si: compromisso para realizar a novidade do reino de Deus na própria vida e na sociedade; confiante espera da sua plenitude na vinda gloriosa do Senhor ao fim dos tempos; atenção às misteriosas visitas do Senhor na vida quotidiana e obediência generosa às suas exigências (cf Mt 25, 31-46. Evangelho); memória fecunda da vinda do Senhor na humildade da encarnação, alimentada pela consciência que tal processo ainda continua no mesmo estilo, e solicita de nós uma completa adesão. Nessa linha, Jesus diz que “o reino de Deus não vem ostensivamente... porque já está entre vós” (Lc 17, 20-21). Estas atitudes interiores e este estilo de atuar na vida promovem e exigem um autêntico “espírito contemplativo”, atento à realidade profunda da existência, e alimentado pela intimidade com Deus na oração.
Na primeira carta aos coríntios (segunda leitura), Paulo destaca com vigor o início da constituição da nova humanidade em Cristo, a partir da sua ressurreição. O confronto entre Adão, origem de um processo de morte que atinge toda a humanidade, e Cristo, “primícias” do processo de ressurreição que atingirá “todos os que pertencem a Cristo” até sua vinda gloriosa, fortalece a visão de uma progressiva afirmação da “realeza” do próprio Cristo. Ela torna-se efetiva na medida em que cada um se abre à sua força transformadora, “para que Deus seja tudo em todos” (1 Cor 15, 28). O concílio Vaticano II pôs em evidência como o batismo coloca todos os cristãos na condição de participar à dimensão sacerdotal, profética e real de Cristo. A vida e as atividades concretas pessoais, familiares, profissionais, constituem para cada um o lugar e as condições nas quais é chamado a fazer presente, com suas atitudes interiores e suas escolhas, o senhorio que partilha com o próprio Cristo (LG 36). O filho do homem, ao “sentar-se no seu trono glorioso, acompanhado por todos os anjos” (Mt 25, 31), para exercitar o grande juízo escatológico sobre os povos e os indivíduos, fará vir à luz, a verdade que se passou escondida no segreto das consciências e sob as aparências do eventos.
“Vinde, benditos de meu Pai! Recebei como herança o reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo!” ( Mt 25,34). Cada um gostaria certamente de ouvir para si estas palavras do Senhor, ao encontrar-se com ele! “Eu estava com fome e me destes de comer; estava com sede e me destes de beber.... Senhor, quando é que te vimos com fome.... Em verdade eu vos digo: todas as vezes que fizestes isso a um dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes!.... Todas as vezes que não fizestes isso a um desses pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer” (Mt 25, 35.38.40.45). O juiz que desvela a verdade de cada um a si próprio é o mesmo pastor que cuida, com ternura e força, de cada ovelha. Cada um também, ao mesmo tempo, é responsável pelo seu irmão (Ez 34, 11-12. 15-17), e disso irá responder.
O Juiz divino destaca, como única justificativa para ter acesso à herança do Pai, o amor para com ele, escondido nos necessitados, e a procura do autêntico sentido da vida, mesmo quando a pessoa não conseguir alcançar o conhecimento explícito do próprio Cristo. Quantos hoje, entre nossos irmãos e irmãs em humanidade, vivem esta peregrinação interior rumo à Verdade!
Aplicação móvel de oração Um ‘app para usar e aconselhar
A aplicação faz parte da plataforma digital de oração “Click To Pray”, criada pelo AO de Portugal, e disponibiliza «propostas de oração simples e breves, para três momentos do dia, durante os 365 dias do ano», bem como as intenções que o Papa Francisco confia mensalmente ao Apostolado da Oração e a todos os cristãos. Acessível em www.clicktopray. org, a plataforma integra, para além da aplicação móvel (para IOS e Android), as redes social Facebook e Twitter e malling, possibilitando a cada interessado escolher a forma como pretende aceder às propostas de oração.
Pantocrator (Παντοκράτωρ) é uma palavra de origem grega que significa “todo-poderoso” ou “onipotente”. Provém de pan (tudo ou todo) e krátos (alto, em cima de. Daí a tradução: governo, poder). A mão direita, em posição de bênção. Com o polegar voltado para si, os dedos médio e indicador em posição oblíqua, quase vertical, e os demais dedos dobrados em direção à palma da mão. Os dois dedos erguidos indicam sua dupla natureza - a divina e a humana -; com os três dedos unidos nas pontas indica-se a sua participação na Trindade como segunda Pessoa. Na mão esquerda, as Sagradas Escrituras indicam que Ele é o Verbo, a Palavra. O DEVER DE MORRERUma americana escolheu o Dia de Todos os Santos para se matar publicamente. Sim, não passou de uma provocação, de uma propaganda à ‘cultura da morte’, disfarçada de sentimento e humanismo. São achas para a fogueira desta cultura do ‘cada um é dono de si’. Eu acrescentaria: ‘e alguns donos de todos’. E tanta gente, daqueles até que se têm por ‘gente de bem’, deixam-se levar por esta onda. Começam por dizer: ‘eu até acho…’ ou ‘e porque não?’… e quando acordarem será tarde demais. Não acreditam? Pois assim será. Assim já se está a pôr em prática. Abertamente, oficialmente. Após a permissão da prática da eutanásia nas crianças sem limite de idade, a Bélgica apresenta um outro passo inquietante: a “eutanásia involuntária”. Os médicos reunidos na Associação belga de cuidados médicos intensivos divulgaram um documento oficial em que foi reconhecido por cada médico o direito de executar a eutanásia sem medo das consequências judiciais também aos pacientes que não sofrem, que não são anciãos e que não pediram, nem mesmo os seus parentes, quando se trata de sujeitos que resultam não ter muito tempo de vida. “Abreviar o processo de morte administrando sedativos além do quanto é necessário para o alívio do paciente”, lê-se na nota da associação médica, “pode ser não apenas aceitável, mas em muitos casos desejável”. Neste ponto se deve dar razão a quem tinha advertido que a ladeira escorregadia dos pequenos passos teria levado do “direito à morte” ao dever de morrer. 25 anos da queda do muro de BerlimConta a história que muitos repórteres já tinham abandonado a sala, quando Günter Schabowski transformou a noite de 9 de Novembro de 1989 na mais importante da história germânica recente. «Decidimos hoje... hum... implementar uma regulação que permite a qualquer cidadão da República Democrática da Alemanha... hum... deixar a Alemanha de Leste por qualquer um dos postos fronteiriços», disse o porta-voz. O relato desta declaração histórica de Schabowski é do jornalista da Reuters Volker Warkentin. O relógio, recorda, marcava 18:53. No Santuário de Fátima, recordamos, na entrada sul, encontra-se um pedaço do Muro de Berlim (começado a construir na noite de 12 para 13 de Agosto de 1961 e demolido a partir de 9 de Novembro de 1989). Pesa 2.600 quilos, mede 3,60m de altura e 1,20 metros de largura. Foi inaugurado em 13 de Agosto de 1994.
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